Professores e servidores da USP decretam greve

Folha de S. Paulo

Paralisação por tempo indeterminado foi marcada para a próxima terça (27). Unicamp e Unesp fazem assembleias nesta quinta-feira (22); movimento é por 9,78% de reajuste salarial

ARETHA YARAK

Professores e funcionários da USP iniciam greve por tempo indeterminado na próxima terça (27) contra a proposta da reitoria de congelar a discussão sobre reajuste de salários ao menos até setembro. A decisão foi tomada nesta quarta (21), após votação em assembleias.

Um grupo de 600 estudantes, segundo o DCE (Diretório Central dos Estudantes), decidiu entrar em greve em apoio. A decisão ainda será apresentada em assembleias em cada uma das faculdades. Nesta quinta (22), professores e funcionários de Unesp e Unicamp, as outras duas universidades estaduais paulistas, também votam o indicativo de greve.

As duas categorias pedem 9,78% de aumento –inflação (6,78%) mais recomposição de perdas históricas.

Procurador da UFMT intimida estudantes de Sinop: ‘Vocês vão empenhar a cueca’

Adufmat

O procurador federal da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Osvaldir Pinto Mendes, tentou intimidar os estudantes do campus de Sinop a cumprirem ordem de reintegração de posse da reitoria no campus de Cuiabá, onde estavam acampados desde o dia 5 de agosto, ou seja, há 12 dias.

A pedido da UFMT, na quinta-feira (15) o juiz Cesar Bearsi, da 3ª Vara Federal em Mato Grosso, determinou o “despejo” de qualquer espaço universitário, com multa de mil reais por dia, em caso de descumprimento. No despacho, o juiz já autorizou também a atuação da Polícia Federal, para uma possível retirada à força.

“Não se esqueçam da multa de mil reais que nós não vamos perdoar. Vocês vão empenhar a cueca de vocês, mas nós vamos cobrar mil reais por dia”, ameaçou.

O estudante de Publicidade, Sérvulo Neuberger, pediu respeito ao procurador por duas vezes. “Mais respeito aí heim, mais respeito aí”.

Após essa ocorrência, o procurador se negou a dar entrevista.

“Coisa mais absurda”, disse o presidente da Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT), Carlos Roberto Sanches, ao ver o registro audiovisual. Segundo ele, isso não pode acontecer dentro de um espaço universitário. “Para mim isso ainda é o reflexo das manifestações ditatoriais presentes na história recente do país e que ocorrem nas universidades também”.

Mediante essa situação de despejo, o grupo resolveu cumprir a ordem judicial, levantou o acampamento e voltou para Sinop na sexta (16), com a certeza de que vai acompanhar o cumprimento das promessas feitas durante o período de negociação com a reitora Maria Lúcia Cavalli Neder, especialmente em reunião de última hora, realizada na quinta. A estudante Karine Miller, afirma que a reunião foi marcada por outras ameaças. A reitoria nega.

Com o acampamento, os alunos denunciaram o caos no ensino da UFMT em Sinop, onde faltam professores e técnicos, salas de aula, material e equipamentos, biblioteca decente e computadores, entre outras necessidades básicas. É grande a lista de problemas, que colocam em dúvida a qualidade da formação acadêmica.

Em Sinop, terão agora que decidir se encerram uma greve que se estende desde 22 de julho.

Ao voltar para casa, os alunos de Sinop deixaram um último ato de rebeldia. Uma faixa em frente à reitoria, escrito assim: “Disponível para ocupação”, em uma clara indicação aos demais grupos insatisfeitos com o andamento da Universidade, para que também reajam.

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Keka Werneck, da Assessoria de Comunicação da Adufmat-S.Sind.

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