Aberta III Semana Científica do Araguaia

Foi aberta, nesta segunda-feira (25), a III Semana Cientifica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus do Araguaia, com exposição dos trabalhos realizados pelos cursos de graduação, oficinas, palestras e debates e apresentações orais de projetos de ensino pesquisa e extensão.

Na segunda e terça-feira (26), foi realizada a Mostra de Cursos. A atividade recebeu a visita de mais de 500 estudantes de 12 escolas públicas e privadas de Barra do Garças e de municípios da região. Os estudantes conheceram os cursos ofertados pelo campus do Araguaia. Os 16 cursos de graduação expuseram, no salão multiuso, os projetos e principais ações.

Para atrair a atenção dos visitantes, os cursos do Araguaia realizaram diferentes atividades. O curso de Direito, por exemplo, fez audiências simuladas. Já o curso de Jornalismo montou estúdios de TV e rádio; o de Ciência da Computação apresentou seus sistemas de robótica e o de Geografia trouxe estudos sobre solos e rochas.

Já para os acadêmicos, foram ofertadas oficinas de técnicas básicas de fotografia, construção de gráficos de funções de uma variável, como escrever artigos científicos, videoreportagem, literatura e cultura afro-brasileiras na escola e como fazer um blog.

Desta quarta-feira (27) a sexta-feira (29), acontecerá a segunda etapa da semana científica com apresentações orais dos trabalhos de extensão e pesquisa desenvolvidos por acadêmicos e docentes e a realização de palestras e debates.

Na segunda-feira, apresentação do Coral Canto Maior marcou a abertura oficial do evento.

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Revista Estudo em Jornalismo e Mídia

Imagem para capa da revista

Estudos em Jornalismo e Mídia
v. 10, n. 1 (2013): Práticas e Profissionalidades Jornalísticas
Sumário
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/issue/view/1988

Apresentação
——–
Práticas e profissionalidades jornalísticas (1-3)
Rogério Christofoletti

Núcleo Temático
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Sindicalização e identidade política dos jornalistas brasileiros (4-24)
Samuel Pantoja Lima,    Jacques Mick

O jornalista como receptor-trabalhador: confronto da atividade real de
comunicação e trabalho (25-40)
Roseli Figaro,  Rafael Grohmann

O etnógrafo e o jornalista: o olhar e a escuta como ferramentas de trabalho
(41-51)
Karina Galli Fraga da Silva

Comunicação na gestão de crises: a “Deontologia” da atividade
jornalística (52-68)
Artemio Reinaldo de Souza,      Richard Perassi Luís de Sousa,  Kamil Giglio

As dissonâncias cotidianas nas rotinas dos jornais: o habitus jornalístico
e a atribuição de um sentido hegemônico às notícias (69-84)
Marcos Paulo da Silva

O jornalista enquanto herói : uma proposta para análise das
representações do jornalismo no cinema (85-102)
Vitor Luiz Menezes Gomes

Temas Livres
——–
Upton Sinclair e as origens da crítica à imprensa segundo o modelo da
propaganda (103-120)
Francisco Rüdiger

O jornalismo como história imediata (121-144)
Virginia Pradelina da Silveira Fonseca, Roberto Anderson Dornelles

O acontecimento e as fontes de informação no jornalismo: da abordagem
ritualística à hermenêutica (145-164)
Thales Vilela Lelo

A delimitação do corpus na pesquisa em jornalismo: o interdiscurso como
método (165-182)
Sabrina Franzoni

O jornalismo em forma de carta no primeiro século da Era Cristã: uma
análise das epístolas bíblicas de São Paulo a partir das principais
características jornalísticas (183-204)
Kevin Willian Kossar Furtado,   Sérgio Luiz Gadini

Percepciones sobre el interés de las cuestiones ambientales en la agenda
mediática, pública y política: un caso de estudio en la prensa argentina
local (205-222)
Luis González Alcaraz

As estratégias ‘para o seu filho ler’: um estudo do contrato de leitura
da seção infantil do jornal Zero Hora (223-238)
Lara Niederauer Machado,        Viviane Borelli

O suplemento como mapa da vida cultural: análise do caderno Cultura (2010)
de Zero Hora (239-255)
Sara Keller,    Cida Golin

Muito além do jornal: a nova imprensa sindical (256-273)
Guilherme Gonçalves Carvalho

Resenhas
——–
O fio da meada (274-278)
Melissa Bergonsi

Revista Estudos em Jornalismo e Mídia
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo

Espetáculos, carteirinha para todos

A publicidade não pode servir para sensibilizar apenas os afortunados, mas estar ao alcance dos estudantes brasileiros, independentemente de que classe pertença. A educação não se resume à sala de aula, no final

Numa sociedade em que se pensa em ganhar dinheiro, os bens culturais inevitavelmente passam por este critério, ou seja, qualquer evento precisa ser pensado como meio de se obter recursos econômicos, e quanto mais melhor. O espetáculo em si representa apenas o desejo do público, considerando a quantidade, não simplesmente a qualidade. A carteirinha de estudante vem na contramão deste princípio, pois reduz os ganhos dos promotores e indústria dos shows.

LEIA MAIS

Jornalismo: Revista Comunicação e Sociedade tem novo número

Focaia

Vol. 34, No 2 (2013): Comunicação & Sociedade
Comunicação e Sociedade

Sumário
https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/CSO/issue/view/248

A escola hoje e os alunos que não aprendem

Folha de S. Paulo

Roberto Leal Lobo e Silva Filho

A educação brasileira está em crise. Além da recorrente violência escolar -a imprensa noticia com frequência casos de alunos armados ou com drogas, além de agressões a professores-, pais e filhos parecem achar que a escola não pode contrariar os alunos ou exigir desempenho.
As próprias famílias não conseguem impor limites aos filhos – às vezes, nem os pais têm limites-, algo que se espraia à sala de aula.
Esse problema, que está se tornando quase epidêmico no Brasil, não é desconhecido em outros países.
Neste momento, vale lembrar um livro francês que nunca foi muito divulgado no Brasil. Para quem está preocupado com a situação das escolas, vale ler “A Escola dos Bárbaros”, de Isabelle Stal e Françoise Thom, publicado no Brasil pela Edusp ainda em 1987, apontando um cenário que só se agravaria no Brasil nas décadas seguintes.
As autoras são duas professoras francesas que contam a degradação que viam surgir nas escolas daquele país já na década de 1980. Os problemas que elas enxergaram nunca soaram tão familiares.
Elas consideram que a falta de disciplina nas escolas reflete uma sociedade que “adota o prazer como o ideal, em todas as direções – para tal sociedade, o objetivo da civilização é se divertir sem limites”.
Ou seja, a escola desistiu de conduzir os jovens à vida adulta.
Nesse sentido, as autoras acertam em cheio ao apontar a profusão de práticas extracurriculares, fáceis e sem conteúdo, que servem para matar o tempo do jovem, como um dos grandes problemas da escola de hoje em dia. Os pais brasileiros podem reconhecer com facilidade essa moda dominando também as nossas escolas.
Nas palavras das autoras: “É uma enganação afirmar que a inaptidão para expressar-se, que a ignorância crassa em história, em geografia, em literatura e a incapacidade em seguir um raciocínio elementar” sejam um preço que tenhamos de pagar para que todos se sintam à vontade na escola, permitindo a “inclusão” de todos os alunos.
Sob o pretexto de instaurar na escola a igualdade, o ensino é nivelado por baixo. Não há como escrever melhor do que elas: “A ambição da igualdade a todo preço desencoraja o esforço de aprender, tipicamente individual”.
Não se pode abandonar o ensino de conteúdo ou deixar que os alunos escolham o que querem aprender. É possível incluir todos os alunos na escola -isto é, democratizar o ensino, criando uma escola que atenda à massa- sem a atual catástrofe.
Além dessas teses, as autoras criticam, com muita dureza, pedagogos, professores, administradores, sindicatos de professores e a nova geração de pais.
Os sindicatos, especialmente, estão mais preocupados em defender a mediocridade e o corporativismo. Eles apontam soluções simplistas para todos os males que afligem o ensino básico, como o aumento dos orçamentos ou ações tecnológicas nas escolas.
Isso sem falar nas ideologias que banalizam o ensino, como se o papel principal da escola não fosse tirar o aluno da ignorância.
O livro pode ser ácido e ter adjetivos em excesso. Pode até ser injusto com relação à importância de democratizar o acesso à educação, algo fundamental para diminuir as injustiças da sociedade.
Mas ele é preciso ao defender a destruição de alguns paradigmas tão em moda no Brasil, como:
– A qualidade inquestionável e universal do trabalho em grupo;
– A “postura crítica” sobreposta à absorção de conhecimento;
– A frouxidão e a permissividade em vez de disciplina e cobrança;
– A prioridade das atividades “sociais” em vez do estudo persistente;
– A valorização dos pesquisadores de banalidades;
– A ênfase nas metodologias em vez dos conteúdos.
Vale a reflexão: quantas gerações de alunos serão prejudicadas até o estudo persistente e o conteúdo voltarem a ser valorizados?

 

ROBERTO LEAL LOBO E SILVA FILHO, 74, professor titular aposentado do Instituto de Física de São Carlos da USP, é presidente do Instituto Lobo. Foi reitor da USP

Como emburrecer americanos

O Estado de S. Paulo – 01 de março de 2008
Susan Jacoby* 
“A mente deste país, ensinado a almejar objetivos baixos, consome a si mesma”. Ralph Waldo Emerson fez esta observação em 1837, mas suas palavras ecoam como um doloroso pressentimento nos Estados Unidos muito diferentes de hoje. Os americanos estão em sérios apuros intelectuais – correndo o perigo de perderem nosso capital cultural, duramente conquistado, para uma mistura virulenta de antiintelectualismo, antirracionalismo e baixas expectativas.
Este é o último tema que qualquer candidato ousaria levantar no longo e sinuoso caminho até a Casa Branca. É quase impossível falar sobre de que forma a ignorância da população contribui para graves problemas nacionais sem ser rotulada de “elitista”, um dos mais poderosos pejorativos que podem ser aplicados a alguém que está aspirando a um alto cargo público. Em vez disso, nossos políticos repetidamente garantem aos americanos que eles são apenas “pessoas comuns”, um termo condescendente que você procurará em vão nos importantes discursos presidenciais antes de 1980. (Imagine: “Decidimos aqui que os mortos não terão morrido em vão … e que esse governo das pessoas comuns, pelas pessoas comuns e para as pessoas comuns não perecerá da Terra”). Tais exaltações à mediocridade estão entre os traços que distinguem o antiintelectualismo em qualquer época.
A obra clássica sobre este assunto, de autoria do historiador da Columbia University Richard Hofstadter, Anti-Intellectualism in American Life (Antiintelectualismo na Vida Americana), foi publicada em 1963, entre as cruzadas anticomunistas da era McCarthy e as convulsões sociais do final da década de 1960. Hofstadter vê o antiintelectualismo americano como um fenômeno cíclico – que freqüentemente se manifestou como o lado negro dos impulsos democráticos do país em religião e educação. Mas o tipo de antiinlectualismo de hoje é menos um ciclo do que uma avalanche. Se Hofstadter (que morreu de leucemia em 1970 aos 54 anos) tivesse vivido o suficiente para escrever uma seqüência dos tempos modernos, teria concluído que nossa era de programas de TV que misturam notícia com matérias de entretenimento, sete dias por semana e 24 horas por dia, sobrepujaram suas previsões mais apocalípticas sobre o futuro da cultura americana.
A mediocridade, para parafrasear o falecido senador Daniel Patrick Moynihan, tem sido continuamente definida, em várias décadas, por uma combinação de forças até agora irresistíveis. Essas forças incluem o triunfo da cultura do vídeo sobre a cultura impressa (e por vídeo quero dizer qualquer tipo de mídia digital, assim como as mídias eletrônicas antigas); um descompasso entre o nível em elevação da educação formal dos americanos e seu domínio titubeante de geografia, ciências e história básicas; e a fusão do antirracionalismo com o antiintelectualismo.
Primeiro e acima de tudo, entre os vetores do novo antiintelectualismo, está o vídeo. O declínio da leitura de livros, jornais e revistas é agora uma história velha. A falta de leitura é mais acentuada entre os jovens, mas continua a se acelerar e a afligir americanos de todas as idades e níveis de instrução.
Segundo um relatório divulgado no ano passado pela National Endowment for Arts, o hábito da leitura decaiu não apenas entre as pessoas com baixos níveis de instrução. Em 1982, 82% das pessoas com curso superior liam romances e poemas por prazer; duas décadas mais tarde, essa porcentagem era de somente 67%. E mais de 40% dos americanos com menos de 44 anos não leu um único livro – de ficção ou não-ficção – no decorrer de um ano. A proporção de jovens de 17 anos que não lêem nada (a não ser o exigido pela escola) mais do que dobrou entre 1984 e 2004. Este período de tempo, é claro, abarca o surgimento dos computadores pessoais, a navegação na web e os jogos de vídeo.
Será que isso importa? Tecnófilos ridicularizam as lamúrias sobre o fim da cultura escrita como a auto-absorção de (quem mais?) os elitistas. No seu livro Everything Bad is Good For You: How Today?s Popular Culture Is Actually Making Us Smarter (Tudo que é Ruim é Bom para Você: Como a Cultura Popular de Hoje Está, na Verdade, nos Tornando mais Inteligentes), o escritor científico Steven Johnson nos assegura que não temos nada com o que nos preocupar. Certo, os pais podem ver seus “filhos vibrantes e ativos olhando, silenciosamente e boquiabertos, para uma tela”. Mas estas características de zumbi “não são sinais de atrofia mental. São sinais de concentração”. Tolice. A verdadeira questão é o que crianças pequenas estão deixando de fazer e não no que estão se concentrando, enquanto estão hipnotizados por vídeos que já viram dezenas de vezes.
A despeito de uma agressiva campanha de marketing que visa encorajar os bebês a partir dos seis meses a assistir vídeos, não há indícios de que se concentrar na tela seja ruim para crianças pequenas. Num estudo divulgado em agosto do ano passado, pesquisadores da Universidade de Washington concluíram que bebês com idade entre 8 e 16 meses reconheceram uma média de seis a oito palavras a cada hora gasta assistindo vídeos.
Não posso provar que ler durante horas numa casinha de brinquedo instalada em cima de uma árvore (era o que eu fazia quando tinha 13 anos) cria cidadãos mais informados do que ficar horas e horas jogando o Xbox da Microsoft ou obcecados com os perfis da comunidade virtual Facebook. Mas a incapacidade para se concentrar durante longos períodos de tempo – diferente das breves leituras para obter informações na Web – me parece intimamente relacionada com a incapacidade da população de lembrar-se até de eventos noticiosos recentes. Não é de espantar, por exemplo, que estejamos ouvindo menos da parte dos candidatos à presidência sobre a guerra no Iraque nos estágios mais recentes da campanha das primárias do que nos primeiros momentos – simplesmente porque tem havido menos reportagens em vídeo sobre a violência no Iraque. Os candidatos, como os eleitores, enfatizam as notícias mais recentes e não necessariamente as mais importantes.
Não é de espantar que anúncios políticos negativos funcionem. “Com texto, é até fácil manter um acompanhamento dos diferentes níveis de autoridade por trás das diferentes peças de informação”, observou o crítico de cultura Caleb Crain recentemente na revista The New Yorker. “Por outro lado, a comparação entre duas reportagens em vídeo é consternadora. Obrigados a escolherem entre reportagens conflitantes na televisão, os telespectadores recorrem à intuição ou àquilo em que acreditavam antes de começar a assistir”.
Na medida que os consumidores de vídeo se tornam progressivamente mais impacientes com o processo de adquirir informações por meio da língua escrita, todos os políticos se vêem fortemente pressionados a transmitir suas mensagens o mais rapidamente possível – e a rapidez hoje é muito mais célere do que costumava ser. Kiku Adatto, da Harvard University, descobriu que, entre 1968 e 1988, a média de trechos editados de notícias sobre um candidato à presidência – apresentando a voz do próprio candidato – caiu de 42,3 segundos para 9,8 segundos. De acordo com um outro estudo de Harvard, em 2000, essa fala diária por candidato foi de apenas 7,8 segundos.
A diminuição do espaço da atenção pública fomentada pelo vídeo está intimamente ligada à segunda força antiintelectual mais importante na cultura americana – a erosão do conhecimento geral.
As pessoas acostumadas a ouvirem seu presidente explicar escolhas políticas complicadas dizendo abruptamente “Sou eu quem decide” talvez não consigam imaginar o esforço de Franklin D. Roosevelt, nos sombrios meses após Pearl Harbor, para explicar porque as Forças Armadas dos Estados Unidos estavam sofrendo uma derrota após a outra no Pacífico. Em fevereiro de 1942, Roosevelt pediu aos americanos que abrissem um mapa durante seu programa de rádio para que pudessem entender melhor a geografia das batalhas. Os mapas se esgotaram nas lojas de todo o país, e cerca de 80% dos americanos ligavam o rádio para ouvir o presidente. FDR disse a seus redatores de discurso que estava certo que, se os americanos tinham entendido as imensas distâncias que os suprimentos tinham que percorrer para chegarem às Forças Armadas, “eles podem receber qualquer tipo de má notícia com bravura”.
Este é um retrato não apenas de uma presidência e um presidente diferentes como também de um país e de cidadãos diferentes – um país que não tinha acesso aos mapas do Google mas era muito mais receptivo ao conhecimento e à complexidade que a população de hoje.
Segundo um levantamento de 2006 da National Geographic-Roper, quase metade dos americanos com idade entre 18 e 24 anos não acha necessário saber a localização de outros países nos quais importantes acontecimentos estão sendo objeto de notícia. Mais de um terço da população acha que “não tem nenhuma importância” saber uma língua estrangeira, e somente 14% consideram importante o conhecimento de línguas estrangeiras.
Isso nos conduz ao terceiro e último fator que está por trás do emburrecimento americano: o problema não é a falta de conhecimento em si, mas a arrogância em relação a essa falta de conhecimento. A questão não é apenas as coisas que não sabemos (considere o fato de que um em cada cinco americanos adultos pensa que o Sol gira em torno da Terra, segundo a National Science Foundation) – mas o alarmante número de americanos que, presunçosamente, concluem que não precisam saber tais coisas em primeiro lugar. Chame isso de antirracionalismo, uma síndrome particularmente perigosa para nossas instituições e intercâmbio de idéias. Não saber uma língua estrangeira nem a localização de um país importante é uma manifestação de ignorância; negar que tal conhecimento importa é puro antirracionalismo. A venenosa mistura de antirracionalismo com ignorância prejudica as discussões da política pública nos Estados Unidos sobre tópicos que vão desde assistência médica à tributação.
Não existe uma cura rápida para esta epidemia de antirracionalismo e antiintelectualismo arrogantes. Esforços repetidos para elevar as notas dos testes padronizados abarrotando os alunos com respostas específicas para perguntas específicas em testes específicos não adiantarão. Além disso, as pessoas que são exemplos do problema geralmente não o percebem. (“Pouquíssima gente acredita ser contra o pensamento e a cultura”, observou Hofstadter.) Já está mais do que na hora de uma discussão nacional séria sobre se nós, como uma nação, valorizamos verdadeiramente o intelecto e a racionalidade. Se esta de fato se tornar uma “eleição de mudança”, o baixo nível do discurso num país com uma mente ensinada a almejar objetivos baixos precisa ser o primeiro item da agenda de mudança.
* A premiada escritora americana Susan Jacoby é autora, entre outros, de The Age of American Unreason. É colaboradora dos principais jornais americanos e ingleses
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