Campus do Araguaia contrata professor para área de Jornalismo

Edital

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSOA Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) oferece uma vaga para professor substituto do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), campus do Araguaia, nas áreas de Jornalismo/Comunicação Visual. Os candidatos devem graduação em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, ou em Comunicação Visual, e disponibilidade para trabalhar em regime de 40 horas, nos três períodos.

As inscrições poderão ser feitas nos dias 29 e 30 de outubro. Os interessados deverão procurar a secretaria de curso do ICHS, campus do Araguaia, das 8h às 11h30 e das 14h às 17h, munidos de documentação pessoal, curriculum-vitae documentado e declaração de não ter sido contratado por nenhuma instituição federal de ensino superior nos últimos 24 meses.

O processo de seleção será realizado nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, por meio de prova didática e análise de currículo. O resultado será divulgado no dia 4 de novembro, às 9 horas.
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (66) 3405 5317, ramal 1171, ou pelo endereço eletrônico sec_ichs@hotmail.com.

Confira a íntegra do edital.

Anúncios

Novo número da Revista Rumores é publicado

Nova edição da revista Ícone é lançada

A mais recente edição da revista Ícone, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, já está disponível. A edição de número 15 aborda o eixo temático “Futuros da fotografia: representação, memória e identidades na construção visual da realidade”.

O novo número da revista pode ser acessado pelo site, como também as normas para futuras publicações.

 

Décimo Sexto Congresso Internacional de Humanidades, na UnB, com inscrições abertas

Palavra e cultura na América Latina: Heranças e desafios

O Instituto de Letras da Universidade de Brasília – UnB convida académicos, professionais da educação e especialistas dos diversos campos do saber, a participar no  DÉCIMO SEXTO CONGRESSO INTERNACIONAL DE HUMANIDADES.  O tema central desta edição será O poder da comunicação em contextos latino-americanos.

O  Congresso se realizará na Universidade de B

rasília, nos dias 16, 17 e 18 de outubro de 2013.

ACESSE AQUI A FICHA DE INSCRIÇÃO

Podem participar as seguintes áreas: História, Geografia, Linguística, Literatura, Educação, Artes, Música, Psicologia, Sociologia, Filosofia, Antropologia, Ciências, Arquitetura, Linguas Modernas, Clássicas e dos Povos Originários, Comunicação, Ciência Política, Tecnologia.

O Congresso nesta edição tem as seguintes modalidades: (a) conferências plenárias, (b) leitura de comunicações, (c) mesas redondas.

O resumo dos trabalhos (abstract) deve ser enviado, no  formulário adjunto, diretamente ao e-mail da Coordenação do Congresso (congresso@revistaintercambio.net.br) até o dia 23 de agosto do presente ano.

Link – http://unb.revistaintercambio.net.br/24h/principal/lo03.php?pag=;revistaintercambio;paginas;xvicongresso

Estudantes de comunicação da UFPA estão em greve há duas semanas

Fonte Andes

Em greve desde o dia 16 de julho, os estudantes de comunicação seguem mobilizados e realizando atividades de debate e de protesto. Em assembleia na sexta-feira (26), os estudantes deliberaram em assembleia pela continuidade da paralisação, segundo informação no  blog do Centro Acadêmico de Comunicação.

Os estudantes da Faculdade de Comunicação (Facom) paralisaram as atividades curriculares por tempo indeterminado requerendo melhores condições de infra-estrutura e recursos humanos na Faculdade. O estopim para o início do movimento foi a reincidente ausência de infraestrutura dos Laboratórios que envolvem as atividades audiovisuais.

“Os estudantes, já há alguns anos, têm que responder com ‘criatividade’ à falta de equipamentos e técnicos habilitados para operar equipamentos caros, pesados e, não raro, defasados. Ou ainda, recorrem a improvisos para desenvolver as atividades do curso, como fazer ‘vaquinha’ para pagar iluminador e cenário. Não raro, o que ‘salva’ o laboratório é o uso de equipamentos pessoais dos alunos” desabafou Kleyton Silva, estudante de Jornalismo.

Além da ausência de equipamentos nos laboratórios, os alunos também reclamam da precariedade do espaço físico do instituto (bebedouro com defeito, insalubridade dos banheiros, falta de acessibilidade para deficientes físicos etc) e exigem concurso público para docentes e técnicos administrativos.

Em reunião extraordinária do Conselho da Faculdade de Comunicação, na quinta-feira, 18, os professores decidiram apoiar o movimento dos discentes. Neste mesmo dia, professores e estudantes se reuniram com o reitor da UFPA, Carlos Maneschy. No entanto, não houve acordo com a Administração Superior, pois o reitor não se comprometeu com prazos para atender as reivindicações.

Docentes apoiam a luta

Assim como os professores da Faculdade de Artes Visuais, que identificam ser justa a greve dos estudantes de Cinema e Audiovisual, devido a grande debilidade para funcionamento do curso, os professores da Facom, também julgam legítimas as reivindicações dos discentes. “Os professores apoiam a greve dos estudantes porque as causas são legítimas, nós estamos trabalhando em condições completamente precárias, na base do improviso e da ‘ganbiarra’ e não dá mais para continuar dessa forma”, declarou Célia Trindade Amorim, Professora de Telejornalismo. Os estudantes também receberam apoio do Sindicato dos Jornalistas do Pará.

UFMT realiza Simpósio em Jornalismo e Direito, com inscrições abertas


IIº Simpósio de Jornalismo e Direito do Araguaia acontecerá no fim de agosto

Inscrições já podem ser realizadas no blog do evento

logo_selo.jpgO papel da mídia e do judiciário na construção da justiça ambiental será o tema do IIº Simpósio de Jornalismo e Direito, que acontecerá de 27 a 30 de agosto de 2013, na Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário do Araguaia, Barra do Garças, Mato Grosso. O evento, desta vez com foco no tema meio ambiente, reunirá profissionais, professores e estudantes das áreas do direito e jornalismo em mesas redondas, palestras, minicursos, lançamentos de livros e sessões de apresentação de trabalhos científicos.

Inscrições

As inscrições para o simpósio já começaram, e devem ser realizadas online no blog do evento: http://simposiojd2013.blogspot.com.br/. Até o dia 12 de agosto as inscrições para estudantes custam 25 reais e para professores, técnicos e profissionais 45 reais. Para os estudantes e pesquisadores que desejam enviar trabalhos científicos, o prazo vai até o dia 16 de agosto. Os artigos devem estar relacionados ao tema do evento e/ou as áreas do direito e jornalismo, e serão examinados por uma Comissão. O regulamento com as normas para a inscrição de trabalhos encontra-se postado no blog do IIº Simpósio de Jornalismo e Direito.

Programação

O Simpósio inicia no dia 27 de agosto com uma mesa redonda sobre o tema do evento. Já está confirmada como debatedora do primeiro dia a professora da Universidade Federal de Santa Catarina, doutora em direito, Cristiane Derani. Para debater o tema sob a ótica da comunicação o nome ainda está por confirmar. Na quarta-feira, dia 28, o tema da mesa redonda será os povos indígenas, a mídia e o direito, abordado pela jornalista da Operação Amazônia Nativa (OPAN), Andreia Fanzeres, o professor da Universidade Federal de Goiás, doutor em direito, Fernando de Carvalho Dantas, uma liderança indígena e o procurador da Funai em Barra do Garças, Rogério Vieira Rodrigues.

Já a mesa de debate sobre “Mídia e Movimentos Sociais”, na quinta-feira, ficará a cargo de Olímpio Morais Rocha, que é advogado do Movimento Sem Terra, no Rio Grande do Norte, e do jornalista e pesquisador sobre rádios comunitárias, Dioclécio Luz. O evento encerra com a mesa “Discurso da mídia e responsabilidade ambiental”, tema que será abordado pelo professor de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto, doutor em comunicação, Reges Schwaab e pelo professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Cuiabá, Luiz Alberto Esteves Scaloppe.

Todas as palestras e mesas redondas acontecerão a partir das 19h. Durante os turnos da manhã e tarde serão oferecidas aos participantes minicursos e oficinas, além da realização das sessões de apresentação dos  trabalhos científicos. Em breve programação de oficinas será divulgada.

No ano de 2012, o primeiro Simpósio de Jornalismo e Direito, com o tema: “O direito da comunicação e a comunicação do direito” atraiu mais de 500 participantes, entre acadêmicos da UFMT e de outras instituições de ensino superior. Este ano, a comissão organizadora tem a perspectiva de um número maior de participantes, com a presença de universidades de outras regiões do estado.

Para mais informações acesse o blog do evento: http://simposiojd2013.blogspot.com.br/ ou entre em contato pelos e-mails: cajaufmt@gmail.com   ou simposiojd@blogspot.com

O evento é uma realização dos cursos de jornalismo e direito da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário do Araguaia, e seus respectivos centros acadêmicos, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).

Mídia em debate

Portal Vermelho

A mídia no Brasil e a grande batalha pela democracia

 

“Pensar o processo de comunicação no Brasil, entender como a informação atua na esfera política, olhar atentamente para os modelos desbravadores que equilibraram esse campo e fortalecer a frente de luta contra uma comunicação imperialista”. Essa foi a receita apresentada por Laurindo Leal Filho, professor da Universidade São Paulo (USP), ao falar sobre os desafios que ainda temos que enfrentar para democratizar os meios de comunicação.

Por Joanne Mota*
Segundo ele, o modelo de trocas de informação no Brasil, que foi edificado nos marcos do capitalismo, tornou-se uma frente estratégica na luta política, na qual os trabalhadores, por exemplo, não possuem vez nem voz. “A chamada velha mídia possui uma orientação muito firme e única, basta apenas zapear pelos meios para perceber que eles possuem os mesmo discursos, mudando apenas algumas alegorias. Todos defensores do sistema capitalista e da ausência de uma real democracia. E nesta investida o principal lesionado é o trabalhador”, externou Lalo, que é jornalista e apresenta o programa semanal Ver TV, na TV Brasil.

Esse ponto de vista também é compartilhado por Dênis de Moraes, escritor e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Segundo ele, foi edificado, não só no Brasil, mas em toda a América Latina uma espécie de patronato da mídia mercantil, que tem como clube privê a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, sigla em Espanhol).

“Trata-se de uma organização maléfica, que tem tido uma participação deletéria no processo político e social latino-americano desde os anos 1940 e que se notabilizou por defender golpes de estado e ditaduras militares e apoiar governos liberais e antissociais. Tudo através de uma comunicação construída para sufocar qualquer voz que se opusesse aos seus objetivos. Do meu ponto de vista, a SIP reúne o que há de pior em termos de jornalismo e forma uma espécie de cadeia de interesses convergentes das corporações midiáticas, o que ataca qualquer movimento de resistência. Um exemplo clássico é a criminalização dos trabalhadores”, esclareceu.

No caso específico do Brasil, o pesquisador pontuou que “diariamente a chamada grande mídia brasileira sente-se estimulada a lutar contra os avanços democratizadores que estão ocorrendo no Brasil e em outros países. E isso ocorre por quê? Porque ela sabe que aqui no Brasil o governo que aqui está há 10 anos nada fez para atualizar, renovar, democratizar a legislação de comunicação que existe no Brasil, principalmente a legislação que diz respeito à radiodifusão pública. O que temos no Brasil são legislações arcaicas anacrônicas e elitistas. E para garantir o avanço da democracia, precisamos de ferramentas que ponham fim ao modelo conservador e preconceituoso alimentado por essa velha mídia.”, denuncia o pesquisador.

Os mais atingidos são os trabalhadores

“Se o povo tivesse descoberto antes a importância da comunicação nós já teríamos vencido muitas lutas, e uma delas é a da Reforma Agraria”, externou a deputada Federal Luiza Erundina (PSB/SP), durante curso promovido pelo Centro de Estados de Mídia Alternativa Barão de Itararé, entre os dias 8 e 12 de maio, em São Paulo. Ela convocou todos os trabalhadores trabalhadoras do Brasil a somar forças pela democratização da comunicação, pelo fim da propriedade cruzada e dos oligopólios de mídia no país.

Para justificar a convocação, a parlamentar lembrou que “as principais vítimas desta concentração são os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e para vencer essa luta é preciso mobilização, organização, politização”. Segundo ela, as ações políticas só terão sucesso com o comprometimento da coletividade.

“A questão da politica de comunicação social é uma questão estratégica para o desenvolvimento nacional. E lembrou o quão simbólico foi a realização a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Um momento, segundo Erundina, de amplo e diverso debate, colonizado pela sociedade e que deixou claro a complexidade do que é pensar a mídia no Brasil.

Paulo Henrique Amorim, do Blog Conversa Afiada, concordou com a parlamentar e explicou o por quê dos trabalhadores serem os mais prejudicados com a concentração dos meios de comunicação.

“Os trabalhadores são os mais prejudicados com a falta de democracia na mídia porque não tem acesso a este espaço e quando aparece, aparece da pior maneira possível. Por isso a importância de a luta estar no chão da fábrica, na base, não se restringindo apenas aos jornalistas, mas também sendo prioridade da classe trabalhadora no geral”, diz.

E acrescenta: “No dia em que as organizações sindicais se engajarem nessa luta ela dará um salto enorme e avançará em suas principais bandeiras. É preciso potencializar o movimento de cartase e mobilização política, tão fortemente utilizado na internet, nas ruas e no interior dos movimentos, e os trabalhadores são fundamentais para isso”.

Nesse sentido, para a deputada Federal Luciana Santos (PCdoB/PE) democratizar a mídia significa por fim a uma excrecência histórica do país. “Essa luta deve compor todas as frentes de batalha. Sociedade civil e movimento sindical devem unir forças para este combate. Não podemos mais tolerar que transformem a comunicação em uma mercadoria, que tem dono, endereço e valor de troca”, disparou.

“Para nós a democratização dos meios de comunicação, significa a garantia das liberdades, dos direitos e sobretudo da participação de todos no processo de construção do país. Um processo que tenha como norte a inclusão social e a valorização dos trabalhadores e das trabalhadoras. É chegada a hora de por um fim a prática da propriedade cruzada e da concentração dos meios nas mãos de poucas famílias. A comunicação alternativa, por exemplo, precisa ser valorizada”, ressaltou a parlamentar durante a entrevista.

Ela acrescentou que “é chegada a hora de se implementar um novo marco regulatório que garanta o espaço de atuação aos veículos alternativos. As rádios comunitárias, por exemplo, precisam ter o espaço e direito de expressar sua opinião sobre o que acontece no Brasil. As tevês comunitárias precisam ter o incentivo necessário para propor um modelo alternativo ao hegemônico. E digo mais, é preciso que os meios privados, que já estão em funcionamento, cumpram com o que está previsto na Constituição Federal”.

Guerrilha pela liberdade

Altamiro Borges, blogueiro e presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, destaca que os setores progressistas e populares do país precisam ter em mente o que está em jogo neste enfrentamento.

“Nesta luta, organizar a comunicação é essencial no processo. Isso significa ampliar investimentos em comunicação, orientar os setores atingidos pelos oligopólios da mídia. Ou seja, a formação das lideranças, os investimentos em plataformas de comunicação e o

entendimento do que significa essa ferramenta de luta, tornam-se centrais nesta guerrilha pela liberdade”, explicou o blogueiro.

Segundo ele, “para travar o debate de ideias no interior da sociedade é preciso antes de tudo inserir as informações necessárias que fundamentarão este debate. O movimento sindical possui um potencialidade incrível, e alto grau de produção, mas mesmo este, precisa pensar com mais atenção o papel de sua comunicação frente ao que é colocado pela mídia burguesa”.

César Bolaño, pesquisador da Universidade Federal de Sergipe (UFS), compartilha da opinião e lembra que essa luta deverá ser travada em diversos níveis, pois não tratamos de qualquer comunicação, tratamos de uma comunicação elitizada e imperialista.

Ele alerta que “a TV, como os demais meios de comunicação de massa, não fazem outra coisa senão permitir a comunicação, uma comunicação especificamente capitalista. Longe de criar incomunicabilidade, esses meios sobre informam, sobre-comunicam, numa ânsia imperialista de dominar o conjunto dos processo comunicativos que se exercem no nível do mundo da vida”.

Quero falar também!

Com o objetivo de reforçar as fileiras dessa luta e garantir a voz e o direito de informar e de ser informado, em agosto de 2013, foi lançada a Campanha para Expressar a Liberdade, apoiada por cerca de 40 entidades da sociedade civil e que encabeçam a campanha para a construção de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para uma Comunicação Democrática no Brasil (PlipCom).

Rosane Bertotti, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), informa que o projeto dispõe sobre os serviços de comunicação social eletrônica, televisão e rádio. E que a proposta também observa a execução dos artigos nunca regulamentados do capítulo 5 da Constituição Federal Brasileira, que trata da Comunicação Social (Art. 220 a 224). Bertotti salienta que o projeto tem o objetivo de envolver a população brasileira na luta pela democratização da comunicação, pautando um tema que é bloqueado pela grande mídia e ainda distante de muitos brasileiros.

Altamiro Borges destaca que com a validação do PlipCom, que precisa obter 1,3 milhão de assinaturas, e seu envio ao Congresso Nacional, o próximo passo será pressionar o os parlamentares para a provação do texto.

“Infelizmente o Congresso nunca cumpriu seu papel, basta lembrar que os artigos que versam sobre a comunicação nunca foram regulamentado. Oura coisa é que o governo Dilma não sinaliza que irá comprar essa briga. A Constituição de 88 definiu as balizas do que deveria ser a comunicação no Brasil, porém o Congresso fechou os olhos sobre está questão. Nosso objetivo é cobrar isso, e com um projeto de lei nas mãos estaremos preparados para esta disputa”.

Rosane Bertotti acrescenta que é chegada a hora de “batalharmos pela regulamentação da mídia, pela sua democratização, e pela universalização das tecnologias digitais. Só assim faremos valer a democracia e brecaremos os desmandos dos que, historicamente, ditaram as regras no Brasil”.

*Joanne Mota é jornalista.

Fonte: Revista Visão Classista

 

Novo currículo do curso de jornalismo escamoteia poder do oligopólio

Carta Maior

Pesquisadores acadêmicos de alto quilate conseguiram a proeza de propor as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Jornalismo sem se pronunciar sobre como se configura o sistema empresarial, oligopólico, firmado sobre a propriedade cruzada de diferentes meios de comunicação

 

 

Pedro Pomar

Estão prestes a ser homologadas pelo ministro da Educação as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Jornalismo, aprovadas pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) em 20/2/2013. O Parecer 39/2013 CNE/CES pouco alterou o relatório final da chamada Comissão Marques de Melo. O estágio obrigatório de 200 horas foi mantido, apesar da posição inicial desfavorável do relator.

A meu ver, a ausência mais aguda nas Diretrizes Curriculares é a do Capital. Um conjunto de pesquisadores acadêmicos de alto quilate conseguiu a proeza de reunir-se para tratar do Curso de Jornalismo tendo chegado ao final de seu trabalho sem se pronunciar sobre como se configura no Brasil o sistema empresarial, oligopólico, firmado sobre a propriedade cruzada de diferentes meios de comunicação, que dá as cartas na mídia e no jornalismo brasileiros. Dizendo de outra forma, o sistema responsável pela produção da maior parte do jornalismo brasileiro, diário ou semanal, seja ele impresso, televisivo, radiofônico ou digital, é ignorado no documento.

Desse modo, não há uma avaliação crítica do papel desempenhado no jornalismo pelos empregadores de importante parcela dos atuais e dos futuros jornalistas, empregadores esses dotados de notável poder econômico e político na sociedade brasileira, habituados a moldar o jornalismo que praticam de acordo com seus interesses. Eles deixaram de ser criticados pelos especialistas da “Comissão Marques de Melo”, que, no entanto, preocuparam-se em atender suas demandas, por exemplo por meio da figura do estágio obrigatório (“possibilitando a interação da universidade com o setor produtivo”) ou do Mestrado Profissional (recomendação felizmente ignorada pelo CNE/CES), que permitiria a “formação de profissionais especializados, pleito histórico das organizações jornalísticas” (leia-se: empresas de jornalismo).

Também no tocante à comunicação entendida como sistema global, mundial, o relatório que embasou as novas Diretrizes Curriculares valorizou excessivamente as redes sociais e a convergência digital, bem como os “novos sujeitos”, sem levar em conta que prossegue célere o processo de concentração e fusão das corporações gigantes de mídia, ou seja, dos capitais que atuam no setor. Por exemplo, afirmam os especialistas: “Os conteúdos da atualidade, veiculados pelos gêneros jornalísticos são, em esmagadora maioria, ações discursivas de sujeitos que agem no mundo e sobre o mundo por meio de acontecimentos, atos, falas e/ou silêncios. Valorizados pelas técnicas e pela identidade ética, esses conteúdos são socializados no tempo e no espaço do Jornalismo, pelos instrumentos da difusão instantânea universal. E assim, pelas vias confiáveis do Jornalismo, se globalizam idéias, ações, mercados, sistemas, poderes, discussões, interesses, antagonismos, acordos” (Relatório, p. 4). Tudo parece, assim, muito difuso e etéreo, quando a realidade é bem outra, mesmo na Internet, onde a presença das grandes corporações, bem como a ação de grandes Estados, é avassaladora.

Quando cita o mercado ou as empresas, o relatório final da “Comissão Marques de Melo” o faz acriticamente, como se o protagonismo desse setor nada tivesse a ver com o jornalismo que se pratica hoje (no Brasil e no mundo) ou com a formação jornalística. O jornalista, assim, apesar da retórica humanística do texto, ao fim e ao cabo é apenas força de trabalho para as empresas de jornalismo. Mas o Relatório não se limita a escamotear, na abordagem geral prévia, o oligopólio da mídia e do jornalismo. Ele também deixa de incluir esse tópico nos próprios conteúdos curriculares sugeridos. E o CNE/CES aprovou integralmente tais conteúdos.

O objetivo principal do relatório final parece ser subordinar a formação oferecida aos imperativos do mercado. É isso que explica os ataques presentes, no relatório, a um tipo de formação mais reflexiva, mais crítica dos meios de comunicação de massa, por exemplo: a teoria “passou a não reconhecer legitimidade no estudo voltado ao exercício profissional, desprestigiando a prática, ridicularizando os seus valores e se isolando do mundo do jornalismo” (Relatório, p. 12); ou: “A ênfase na análise crítica da mídia, quando feita sem compromisso com o aperfeiçoamento da prática profissional, abala a confiança dos estudantes em sua vocação, destrói seus ideais e os substitui pelo cinismo” (idem).

Observe-se, porém, a seguinte recomendação da Unesco, presente em publicação recente sobre os currículos de jornalismo: “Uma boa formação deve fornecer aos estudantes conhecimento e treinamento suficientes para que reflitam sobre a ética do jornalismo, suas boas práticas e sobre o papel do jornalismo na sociedade. Eles também devem aprender sobre a história do jornalismo, a legislação da comunicação e da informação e sobre a economia política da mídia (incluindo tópicos como propriedade dos meios, estrutura organizacional e competição)” (Modelo curricular da Unesco para o ensino do Jornalismo, Unesco, Brasil, 2010; página 6). Mais adiante, mesmo ressaltando que o curso pensado não se destina a formar pesquisadores acadêmicos, o texto diz: “Pretendemos, igualmente, preparar os estudantes para que sejam críticos a respeito do seu próprio trabalho e em relação ao de outros jornalistas” (idem, p. 7).

A “Comissão Marques de Melo” fechou seu relatório em 2009 e cita apenas a versão anterior (2007) do Modelo curricular da Unesco… Mas é importante assinalar que há uma preocupação da Unesco com essa questão (para quem trabalhamos? quem detém o poder no jornalismo?) que é simplesmente diluída, no documento dos especialistas, em considerações genéricas sobre a ética e a responsabilidade do jornalista.

Em nenhum dos seis Eixos de Conteúdo que constam do item 5 do Relatório (Conteúdos Curriculares) e foram aprovados in totum pelo CNE/CES consta algo consistente sobre o tema, exceto por uma vaga referência, no Eixo III, à “regulamentação dos sistemas midiáticos, em função do mercado potencial” (sic). Basta conferir isso nas páginas 11 e 12 do Parecer CNE/CES 39/2013.

Por fim, é bastante deplorável que o CNE/CES tenha mantido o estágio obrigatório, sob a forma de Estágio Curricular Supervisionado. Isso legitima e amplia a enorme pressão das empresas sobre os estudantes e sobre os cursos. O estágio em jornalismo tem sido um dos mais importantes fatores de aviltamento do mercado de trabalho dos jornalistas brasileiros, funcionando como instrumento de substituição de força de trabalho qualificada. Do ponto de vista simbólico, ele reforça a propaganda das empresas de que só elas dominam o saber jornalístico, e dilui a pressão sobre as escolas de jornalismo para que ofereçam laboratórios de boa qualidade e corpo docente qualificado.

Democracia na comunicação!

Discutir a comunicação não é uma tarefa fácil, o que diz respeito à toda população de um país, no que se refere à política, cultura e economia – consumo. Afinal, uma sociedade se organiza, sobremaneira, através dos meios de comunicação de massa.

O Estado e as lideranças sociais, portanto, se dedicam a escolher (através de concessão) de maneira aprimorada quais são os proprietários de mídias, que no Brasil está substancialmente nãos mãos de grandes empresários.

Os veículos estatais – no Brasil não há mídia pública, mantida pelos brasileiros – ainda são poucos e não conseguem atingir audiência razoável.

O grupo intervozes – uma associação brasileira que trabalha pela efetivação do direito humano à comunicação. –  tenta uma explicação para o fato, em vídeo.

 

Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e- câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

A diversidade no mundo globalizado

Época

O estudioso francês Dominique Wolton afirma que a mídia de massa é um formidável – e subestimado – fator de preservação de identidade cultural

 

O cientista político francês Dominique Wolton é um intelectual que rema contra a corrente. Adora a TV e lamenta ter pouco tempo para assistir. Dedica no máximo uma hora e meia do dia ao principal objeto de seus estudos. “A TV e o rádio são os alicerces da democracia de massas. São eles que asseguram a tolerância ao diferente, reforçam os laços sociais e promovem a identidade de uma nação”, afirma. Seu discurso também destoa da visão convencional sobre a internet. “É uma besteira dizer que ela promove a democracia, a não ser em regimes totalitários”, diz ele. Wolton afirma que os intelectuais, tão críticos sobre a mídia de massa, se deixaram instantaneamente encantar pela internet. Razão disso, segundo Wolton: o deslumbramento com a tecnologia. “Os intelectuais jamais gostaram suficientemente da TV e do rádio, mas de repente amaram a internet.”

Diretor da revista Hermès, referência internacional na área de mídia, e pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França, entidade pública sediada em Paris, com mais de 10 mil acadêmicos, Wolton tem 16 livros publicados sobre comunicação. No Brasil pela sexta vez, ele deu, na semana passada, palestras em São Paulo e no Rio de Janeiro. Depois da palestra no Rio, conversou com ÉPOCA. Wolton fala inglês, mas prefere dar entrevistas na própria língua. Bem-humorado, diz que “é para preservar a diversidade cultural”.

ÉPOCA – O senhor afirma que o rádio e a TV são essenciais para o fortalecimento da identidade cultural de uma nação. Por quê?
Dominique Wolton
– A televisão é a única atividade compartilhada por ricos e pobres, pela população urbana e rural, por jovens e velhos. Isso acontece não pela tecnologia, mas pelo fato de que os programas são destinados a todas essas categorias. Essa virtude única se deve ao conteúdo. É um papel social fundamental, desde que todas as categorias sociais se identifiquem com o que vêem na televisão. Assistir à TV é um consumo individual de uma atividade coletiva, e eis outro fator fascinante. É isso que obriga a TV a prestar atenção à diversidade cultural da sociedade e a preservá-la. A TV produz uma cultura mediana acessível, sensibiliza o telespectador para outras culturas e reflete o mundo contemporâneo. TV e rádio também respeitam a hierarquia cultural. Os telespectadores menos educados podem ser instigados a querer conhecer a cultura da elite a partir do que viram na TV. Podem comprar um livro depois de assistirem a uma minissérie ou visitar um museu para ver um quadro que aparece num filme.
ÉPOCA – A globalização gera uma uniformização cultural. O senhor afirma que as diferenças serão acirradas e que cabe aos meios de comunicação ajudar na compreensão entre os homens. Como?
Wolton
– A dinâmica econômica da globalização é a concentração. Ela está acontecendo por toda parte e em tudo: na indústria petrolífera, na automobilística, na energia. Os grupos econômicos fazem isso e argumentam, demagogicamente, que, quanto mais poderosos forem, mais respeito terão à diversidade cultural dos países onde atuam. Isso é uma mentira. Mas há uma reação a essa uniformização proposta pela globalização. É essa resistência que vai se traduzir numa reivindicação cada vez mais intensa por uma identidade cultural. A mídia de massa terá um papel vital no atendimento dessa reivindicação.
ÉPOCA – O senhor diz que, quanto mais educada a pessoa, melhor ela aproveitará o conteúdo da internet. Por que isso não vale para a TV e o rádio?
Wolton
– Justamente porque a oferta do rádio e da TV é pensada para que todos tenham acesso a ela. Ao passo que, na internet, existe uma segmentação natural. Sem um nível educacional adequado, você não entende. A internet não chega a ser elitista, ela é comunitária. A televisão é uma janela aberta para todas as culturas.
ÉPOCA – O que explica o preconceito das universidades contra a TV?
Wolton
– Primeiro: os intelectuais acreditaram que a cultura televisiva colocaria em risco a cultura de elite. Segundo: os intelectuais têm uma visão errada do telespectador, como se ele acreditasse em tudo o que vê. Ignoram a percepção crítica do telespectador. Em terceiro lugar, mesmo sendo aparentemente progressistas, os intelectuais nunca tiveram interesse pela cultura mediana criada pela televisão. Fingiram ser os defensores da cultura, sem perceber quanto a televisão mudou a vida de milhões de pessoas. Sob o pretexto de defender grandes valores, tiveram uma posição corporativista. Eles se dizem a favor da democracia, mas ao mesmo tempo desqualificam a sociedade de massas. Desprezam a inteligência dos milhões de telespectadores, não enxergam que uma pessoa pode ser ignorante, mas, ainda assim, inteligente. É incompreensível que essa postura tenha persistido por 50 anos. Os intelectuais não compreenderam a revolução da televisão e da comunicação. Não viram até que ponto a TV é um meio de emancipação para milhões de pessoas e uma forma mais difícil de mídia. É fácil cativar um público segmentado e muito difícil agradar a platéias diferentes. Os intelectuais ainda podem ser criticados por falar mal da televisão, mas não se recusar a aparecer nela nem a dar entrevistas. O grande paradoxo é que, com a chegada da internet e das novas tecnologias, esses mesmos acadêmicos não tiveram a mesma visão crítica e adotaram a ideologia tecnológica reinante sem nenhuma resistência.
ÉPOCA – O que gerou essa apatia crítica?
Wolton
– O deslumbramento com a tecnologia. Os intelectuais jamais gostaram suficientemente da TV e do rádio, mas de repente amaram a internet. Eles continuaram repetindo os estereótipos da TV e do rádio e não fizeram duas perguntas básicas em relação à internet. Qual a diferença entre liberdade de informação e lixo de informação? O que é uma informação sobre a qual não há nenhum controle? Desde que os homens começaram a escrever, sempre foi necessário validar a informação. Por que isso não é necessário para a internet? Quando se fala em controle na internet, muitos vêem isso como uma ameaça à liberdade de expressão. Mas e a especulação financeira virtual, com os boatos, a utilização da rede virtual pelos terroristas e a ciberperversão sexual? Alguns intelectuais acham esses crimes inevitáveis, parte do jogo da liberdade da internet. Para mim, isso é uma resistência do mundo acadêmico em refletir sobre a comunicação. É a defesa de uma terra sem lei, uma anarquia, onde sabemos que quem ganha é o mais forte.
ÉPOCA – Qual o papel dos jornais e revistas nesse mundo da internet?
Wolton
– Quanto mais a informação for interativa, mais central será o papel da imprensa escrita. Porque as pessoas procuram num jornal diário ou numa revista semanal o essencial do dia, da semana. O desafio é recuperar os jovens leitores. Hoje a imprensa escrita está restrita aos mais velhos, enquanto a internet e o rádio seduzem os jovens. Como eu digo sempre, o rádio não ameaça o livro, a televisão não ameaça o rádio e a internet não ameaça a televisão. Quanto mais interatividade visual houver, mais teremos vontade de mexer num papel. Quando tudo se torna tão efêmero, mais se valoriza aquilo que fica, um livro, por exemplo. O livro de bolso é uma resposta à tirania da televisão. A televisão deveria inventar algo assim genial para resistir à tirania da internet.
ÉPOCA – O senhor diz que a internet é uma atividade solitária. Como explicar fenômenos como a Wikipédia, a enciclopédia virtual construída com a colaboração de milhares de internautas?
Wolton
– Sim, a internet permite uma série de trocas de informações entre pessoas que acreditam em coisas parecidas, como, sei lá, futebol chinês. Essas pessoas têm algo a dizer umas para as outras e passam a integrar comunidades. Então, a internet pode ter um papel importante em regimes ditatoriais, porque dificilmente é controlada pela ditadura. Mas numa democracia? É uma besteira dizer que a internet permite a democracia. Se isso é verdade, o que existia antes? A internet é um contrapoder adicional, freqüentemente um contrapoder até mesmo à imprensa, mas não podemos dizer que é a essência da democracia só porque qualquer um pode dizer qualquer coisa. Já os meios de comunicação de massas são verdadeiramente democráticos, porque nos ensinam a conviver com as diferenças. Por séculos ficamos isolados uns dos outros. E agora, que nos aproximamos, enxergamos as diferenças. É preciso tolerar isso e aprender a conviver com o diferente. Há mais igualdade diante da televisão que diante da prateleira de um supermercado, ou na escolha de serviços de saúde.
ÉPOCA – A internet não permite mais interatividade que a TV?
Wolton
– Não. A TV é um meio interativo. Eu assisto a um programa e depois reajo a ele, em comentários com os amigos ou agindo. O que a internet tem é uma interatividade imediata. Mas isso é uma desvantagem. O intervalo de tempo é fundamental para a reflexão, para que o espírito crítico funcione. Eu me interesso pela interatividade mediada pelo tempo.
ÉPOCA – Se a TV é tão estratégica para a identidade cultural, é legítimo impedir sua concessão a estrangeiros?
Wolton
– Concordo que companhias estrangeiras podem ter uma participação financeira parcial nas emissoras, mas nunca o controle. Isso provocaria uma desconfiança dos telespectadores que, no longo prazo, interferiria nos resultados financeiros.
ÉPOCA – Há exemplos disso?
Wolton
– No cinema, nos anos 80, grupos japoneses como a Sony compraram estúdios de Hollywood. Os americanos contra-atacaram e compraram de volta. (Em 1989, a gigante japonesa comprou a Columbia Pictures e a Tri-Star Pictures.) É um paradoxo. Os americanos querem rádios e televisões dos outros, mas não querem que comprem nada deles. Eles são pelo livre-comércio no resto do mundo, mas protecionistas em seus interesses. Não percebem, mas haverá um efeito bumerangue gigantesco contra eles.
ÉPOCA – O senhor se refere ao antiamericanismo?
Wolton
– Sim, mesmo antes da guerra do Iraque esse sentimento já era notado. Os americanos imaginavam que bastava exibir os canais CNN e Fox News pelo mundo que as pessoas iriam imitá-los. Estão errados. As pessoas fora dos EUA não se identificam com a CNN e a Fox. Os americanos imaginam que todos os que querem um carro com ar-condicionado, uma casa com piscina e tomar Coca-Cola desejam, no fundo, ser americanos. Não. As pessoas querem os confortos modernos, não ser americanos. É por isso que os EUA votaram contra a Declaração de Diversidade Cultural da Unesco, aprovada por 154 países. Essa declaração não muda as desigualdades políticas e demográficas, mas é fundamental pelo princípio filosófico. Ela diz que todas as culturas se equivalem. O mandarim, falado por mais de 1 bilhão de chineses, é tão válido quanto um dialeto de 50 mil pessoas. Só os EUA e Israel foram contra a Declaração. Os EUA cometeram um grande erro porque as pessoas vão começar a se perguntar por que eles não respeitam a diversidade. E vão se questionar sobre o cinema, a música, a televisão…
ÉPOCA – Não é esperar demais que a TV seja a guardiã da identidade cultural de um país?
Wolton
– A televisão não se dá conta dessa responsabilidade. A TV é uma arte modesta, banal, cotidiana. Todo mundo assiste, fala dela. A programação da TV irriga todas as demais culturas, incluída a artística. A arte contemporânea seria outra não fosse a televisão. É a TV que integra o país nos debates políticos, nas grandes coberturas esportivas, nas campanhas educacionais. Numa campanha eleitoral democrática, os candidatos apresentam suas idéias aos eleitores através da TV e do rádio. É na TV que eles discutem entre si e são questionados por jornalistas, de forma que todos possam formar sua opinião, mesmo os analfabetos.
%d blogueiros gostam disto: