MYRIAN SERRA VENCE ELEIÇÕES PARA REITORIA DA UFMT

Fonte Site Focaia

Após a apuração dos votos para a eleição de reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a professora Myrian Serra, obteve vitória na disputa contra o seu colega Paulo Teixeira, em segundo turno. A chapa 4, “UFMT: Diálogo e Ação”, atingiu 49,37% do total de votos, contra 47,01% da concorrente, chapa 2, “UFMT +50″.

A decisão, como se observa nos números, se mostrou apertada, somente conhecendo o vencedor no final da contagem. No entanto, o voto que definiu em favor de Serra foi aquele depositado pelos profissionais técnicos. Sendo que os docentes preferiram a chapa 2 com 16,92% e 15,16% para chapa 4, no caso dos discentes 16,45% contra 15,94%, respectivamente. Já os técnicos foram mais decididos com 13,63% para Teixeira e 18,26% para Myrian.

O presidente do sindicato dos professores da instituição Reginaldo Araújo, disse ao jornal A Gazeta de Cuiabá, que apesar dos candidatos serem do mesmo grupo, ainda assim, “Uma nova gestão sempre traz expectativas de que seja um novo momento, com novas possibilidades de avançar nas questões que consideramos importantes”.

Como procedimento será apresentado ao governo federal uma lista contendo nomes de reitores para análise da presidência da república. Apesar das interferências políticas no passado, de governos centralizadores, nos últimos anos para cá, o chefe do executivo federal apenas ratifica o vencedor internamente. A nova gestão ficará no comando da instituição até 2020.

A posse da nova reitoria ocorrerá no dia 26 de outubro. Neste momento de transição deverá haver alternância de pessoas em cargos de confiança nos quatro campi da UFMT. Neste sentido, no Campus Universitário do Araguaia, o atual pró-reitor, deverá ceder a função a outro nome a ser escolhido, em tese, pela nova reitora. No entanto Serra em campanha foi mais enfática do que o seu adversário, ao afirmar que o pró-reitor de campus deve sair da escolha dos seus pares, ou seja, dos professores, técnicos e estudantes. Porém, não parece uma questão simples de resolução.

Para que haja a alternância no poder é preciso saber da decisão do pró-reitor José Marques pessoa, com vários mandatos no cargo de confiança da reitoria, com amplo diálogo com Cuiabá. Nos bastidores, pelo menos os docentes ainda não mostram articulados na definição do representante, no comando das unidades de Barra do Garças e Pontal, o que deve ocorrer, agora, após a definição do novo reitor.

Nos corredores, o atual pró-reitor afirma que já venceu o seu prazo no cargo. Atingiu os seus objetivos com sucesso, com implantação de projeto, idealizado ao longo do tempo em que esteve à frente do Campus Araguaia. Desta forma, espera que em breve surja um nome para sucedê-lo, e, ressalta, informalmente, não ter a intenção de interferir nas escolhas.

Universidade para quê?

Folha de S. Paulo/Opinião

ODED GRAJEW – As universidades brasileiras reúnem em seu corpo docente e discente (professores, alunos e pesquisadores) uma boa parte dos talentos de nossa sociedade.

O conhecimento acadêmico se espalha em inúmeras áreas: saúde, educação, habitação, transporte, economia, ciência em geral, produção, administração pública e privada, direito público e privado, urbanismo, entre outros.

Muitas dessas universidades têm parcerias internacionais que facilitam a relação entre alunos e professores. Mas essa imensa riqueza de conhecimento, esse fantástico potencial, tem contribuído em sua plenitude para melhorar o país? Acredito que não. Sabemos que uma boa parte da produção científica não ultrapassa os muros da academia.

A grande maioria de nossas lideranças políticas é constituída de pessoas com poder de mobilização, de articulação e de comunicação, o que lhes permitiu, com carisma e faro, galgar posições na hierarquia política partidária e ganhar eleições. Entretanto, ao serem eleitos, deparam-se com o desafio de colocar em prática suas propostas.

A formação das equipes –ministros, secretários, assessores e segundo escalão– é pautada muitas vezes por acordos partidários e por compromissos assumidos com os apoiadores da campanha eleitoral. Em geral, as equipes não são constituídas por pessoas com notório saber de suas áreas.

Os baixos salários da administração pública inibem e acabam por afastar os grandes talentos, já que estes conseguem uma remuneração muito maior na iniciativa privada. Por isso, muitos administradores e dirigentes públicos enfrentam grande dificuldade para contratar gente competente.

Não é por acaso que no Brasil, país com uma das maiores cargas de impostos do mundo, as políticas públicas são, em geral, de muito baixa qualidade. Tanto é que as pessoas de maior renda recorrem a serviços privados.

Os conhecimentos acumulados nas universidades brasileiras poderiam dar uma enorme contribuição para melhorar a qualidade dos nossos serviços públicos. As eleições municipais de 2016 oferecem essa oportunidade. Cada universidade poderia mobilizar seus professores, pesquisadores e alunos para produzir propostas que beneficiem suas cidades, as cidades vizinhas e até mesmo todas as cidades do país.

Essas propostas, nas áreas de educação, saúde, mobilidade, habitação, planejamento urbano, meio ambiente, cultura, esporte, energia, crianças e adolescentes, economia e tantas outras, seriam apresentadas, por meio de seminários e outras atividades, à sociedade, aos meios de comunicação e a todos candidatos e partidos.

O debate político teria, assim, maior conteúdo, fugindo da superficialidade e do casuísmo habituais. Após as eleições, as universidades poderiam, e até deveriam, se tornar parceiras dos eleitos para implementar tais ideias.

Ao colocarem a diversidade de seus ricos conhecimentos a serviço da sociedade, as universidades cumpririam mais amplamente a missão primordial de serem parceiras na construção de um país melhor para todos.
A eleição deste ano é uma ótima oportunidade para que o saber acadêmico se torne prática nas políticas públicas das próximas administrações municipais.

ODED GRAJEW, 71, é coordenador geral da Rede Nossa São Paulo e presidente emérito do Instituto Ethos. É idealizador do Fórum Social Mundial. Foi assessor especial do presidente da República em 2003 (governo Lula).

Folha de S. Paulo

Rogerio Meneghini

Rankings de universidades não são piada

A ameaça do interesse comercial tende a ser anulada à medida que a metodologia de elaboração de rankings se aprimora

Uma pergunta que não cala é: por que esta necessidade de procurar padrões que unem ou diferenciam tudo o que existe? A resposta de Umberto Eco, em seu livro “A Vertigem das Listas” (ed. Record), é porque se trata de um imperativo atávico de dar ordem ao caos.

Nestes últimos anos, as universidades mundiais foram surpreendidas por iniciativas de se avaliá-las e classificá-las que se sucederam.

A complexidade que engloba as atividades acadêmicas fez com que enfoques diversificados que vêm sendo ensaiados pelos diferentes rankings universitários produzam resultados que, comparativamente, podem parecer randômicos.

É preciso, porém, considerar que há uma sondagem diversificada pelos rankings, que miram as universidades sob múltiplos ângulos. É plausível que os resultados destoantes soem estranhos para os leigos.

Mas não deveriam receber o estigma de “piada” por pesquisadores, professores e muito menos por autoridades brasileiras do setor acadêmico-científico, que recentemente assim os qualificaram publicamente, argumentando haver por trás dos rankings um interesse comercial.

É plausível haver interesse comercial por parte dos produtores de rankings, os quais são na maioria órgãos de imprensa. Mas faz, hoje, sentido defender que esse interesse necessariamente inviabilize a ética de um procedimento e não permita superar conflitos de interesse?

Essa ameaça pode, em certas circunstâncias, estar presente, porém ela tende a ser anulada à medida que a metodologia de elaboração de rankings se aprimora e há uma multiplicidade de iniciativas ocorrendo simultaneamente.

É interessante notar que o governo brasileiro, por meio do Ministério da Educação (MEC), vem já há algum tempo operando com uma classificação de universidades.

Obviamente, ela não leva o nome de ranking, mas utiliza indicadores para qualificar, dentre mais de 2.000 instituições brasileiras de nível superior, quais podem ser classificadas como universidades. Atualmente, elas somam 195.

Num exame preliminar, a maioria das universidades públicas e privadas de maior porte e maior número de formados está ali presente.

Há, contudo, uma discrepância entre o que o MEC entende por universidade e a concepção mundial de universidade –isto é, uma instituição de educação superior e pesquisa que confere títulos acadêmicos numa variedade de tópicos e provê ensino em nível de graduação e pós-graduação.

O primeiro ranking brasileiro de universidades, o RUF (Ranking Universitário Folha), que utiliza 16 indicadores para classificá-las, mostra que mais da metade das nossas universidades tem atividade de pesquisa praticamente nula, buscando por um alunato de graduação alentado, com forte interesse comercial.

Se for importante para o MEC mantê-las na categoria de universidade, seria mais adequado chamá-las de universidades de ensino, subentendendo-se ensino de graduação, pois é claro que, sem pesquisa, não pode haver um genuíno ensino de pós-graduação.

Se o RUF fosse considerar universidade no “stricto sensu”, então cerca de metade das universidades no sentido compreendido pelo MEC seriam desqualificadas.

Vê-se, portanto, porque dois rankings podem fornecer resultados muito distintos, dependentes do ângulo com que se mira.

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USP: marxismo na política

Carta Capital

USPAs greves na USP

por Vladimir Safatle

Em nenhuma grande universidade do mundo o reitor é escolhido pelo governador de um estado. É uma aberração
A universidade de São Paulo está em greve há mais de um mês. Para quem acompanha os movimentos da mais importante universidade da América Latina, nada de novo. Greves são periódicas na USP, algumas com resultados importantes, entre eles a contratação de novos professores, defesa da autonomia universitária etc., outras nem tanto. O certo é que elas se transformaram em um dos poucos instrumentos à disposição dos professores, estudantes e funcionários para pressionar e negociar. Há de se perguntar por quê.Discutir tal questão com o mínimo de serenidade é difícil, pois há um ressentimento irredutível incrustrado principalmente em certos setores da classe média. Gente que não entende o fato de nunca ter sido reconhecida como grande intelectual ou escritor e que, por isso, sempre está disposta a explicar seu fracasso por um grande complô nascido na academia. Por isso estão sempre prontos a repetir o mesmo mantra ouvido desde o nosso nascimento: reduto de marxistas improdutivos, a universidade (em especial sua área de humanidades) é irrelevante, nunca produziu nada que mereça ser lembrado.

De nada adianta mostrar que 25% de toda a pesquisa realizada no Brasil é feita pela USP e que nossa universidade é um gigante com, aproximadamente, 74 mil alunos só na graduação. Para se ter uma ideia, Harvard tem 6 mil estudantes. O gigantismo obriga a USP a responder por um conjunto de atividades que “universidades de excelência” não precisam sequer pensar. Não somos uma universidade que seleciona os 6 mil melhores alunos e os trabalha quase individualmente. Somos uma grande universidade de massa que precisa responder por exigências de formação, pesquisa, profissionalização e reciclagem, suporte de serviços sociais, entre tantas outras coisas. Se separássemos os 6 mil melhores, chegaríamos perto das melhores do mundo, mas certamente contribuiríamos para jogar os outros 68 mil em condições de ensino muito piores do que aquelas que eles têm hoje.

Por outro lado, as acusações contra o reduto de marxistas chegam a ser hilárias. No Departamento de Filosofia (que estaria no pretenso epicentro do marxismo), faz décadas não há um curso regular sobre Marx, embora haja cursos sobre Locke, Hobbes e outras referências do pensamento liberal. Se nos afastarmos desse mar de ressentimento que invade setores da mídia sempre que se fala da USP, talvez possamos discutir alguns pontos com mais propriedade.

Um dos maiores fatores de desestabilização da vida universitária nesses últimos anos é a escolha do reitor. Há uma forte razão para tanto, pois o processo uspiano é uma aberração. Ultimamente, alguns foram à mídia dizer que uma escolha do reitor por eleição direta seria inaceitável, haja vista o fato de nenhuma das melhores universidades do mundo operar dessa forma. É verdade, mas gostaria também que alguém me indicasse uma, apenas uma universidade entre as melhores, cujo reitor é escolhido pelo governador do estado a partir de uma lista tríplice.

Esta é, de longe, a pior das aberrações, por abrir a gestão da universidade à interferência de alguém que nada sabe a respeito das necessidades acadêmicas, mas que decide tudo a partir do cálculo de interesses de seu partido. É realmente impressionante certos setores da sociedade não perceberem que uma lista tríplice significa transformar a gestão de nossa maior universidade em um cargo como outro qualquer no governo estadual, como presidente da Sabesp ou secretário-geral dos parques estaduais. E por meio de uma indicação em que o governador finge brincar de democracia para, no fim das contas, impor sua vontade. O governador não é uma instância acadêmica, não dá aulas, não escreve artigos, não orienta teses e não participa de conferências e simpósios. Logo, não tem nada a fazer nesse processo.

No caso da USP, a escolha direta de reitor tem uma vantagem grande em relação aos demais modelos: ele quebra a formação de castas burocráticas que se perpetuam por décadas, além de dar mais voz aos alunos. Até mesmo em uma universidade privada, é normal alunos avaliarem cursos, interferirem em várias diretrizes acadêmicas e pedagógicas. Não na USP. Tratamos as opiniões dos alunos como um convite à irracionalidade e à desconsideração das necessidades acadêmicas. Mas isso está longe de ser verdade. Os alunos querem aprender e vencer na vida. Não há razão alguma para recusar ouvi-los.

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Vladimir Safatle – Professor da Faculdade de Filosofia da USP, é autor do livro “A esquerda que não teme dizer seu nome”

Curso de MG é suspenso por ter ‘orientação comunista’

Via Focaia

Marcelo Portela | Agência Estado

Um programa de extensão ligado à Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) foi suspenso por determinação judicial sob alegação de que “ostenta feição predominantemente político-partidária”. Na avaliação do juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara Federal no Maranhão, o Centro de Difusão do Comunismo (CDC) comete “grave ofensa” ao princípio da moralidade porque “favorece a militância política anticapitalista em detrimento de outras militâncias” existentes no país.

A decisão atendeu a pedido do advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho, que entrou com ação popular na Justiça Federal com o argumento de que o programa, vinculado à Pró-reitoria de Extensão da Ufop, é ilegal por usar recursos públicos para divulgar uma ideologia política. O CDC começou a funcionar no ano passado e, em sua página na internet, informa que o objetivo é “lutar por uma sociedade para além do capital”.

O programa, coordenado pelo professor André Mayer, do curso de Serviço Social da Ufop, é constituído de quatro ações articuladas para “estudar, debater e realizar a crítica à ordem do capital”. Participam do CDC 20 bolsistas que recebem R$ 250 mensais, além de estudantes e quaisquer pessoas que queiram aderir ao programa. Na lista de atividades, gratuitas e abertas à comunidade em geral, estão incluídos dois projetos (Liga dos Comunistas – Núcleo de Estudos Marxistas e Equipe Rosa Luxemburgo – Grupo de Debate e Militância Anticapitalista) e dois cursos (Mineração e Exploração dos Trabalhadores na Região da Ufop e Relações Sociais na Ordem do Capital – As Categorias Centrais da Teoria Social de Marx). Elas são realizados duas vezes por ano no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) em Mariana, município próximo a Ouro Preto, também na região central de Minas.

Foice e martelo

O juiz Vale Madeira concordou com os argumentos de Pedro Leonel, de que o programa afeta a “igualdade de oportunidades” para os partidos que disputam eleições porque é sustentado com recursos públicos e tem “evidente opção político-partidária que exalta a militância política anticapitalista”. “O símbolo utilizado pela Ufop para divulgá-lo é precisamente aquele universalmente associado aos partidos comunistas, ou seja, uma foice e um martelo. Este símbolo, com pequenas variações, é o mesmo utilizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Comunista Brasileiro (PCB)”, observou o magistrado. Ele lembrou também que a legislação eleitoral proíbe o uso de bens públicos para a promoção de legendas e declarou que o programa “desrespeita as demais convicções partidárias”, exemplificando com socialistas, trabalhistas, democratas, cristãos e ambientalistas.

Em sua decisão, proferida após ouvir a instituição, o juiz determinou a imediata suspensão das atividades, assim como a contratação de professores, pagamento de bolsas de estudo, compra de materiais, disponibilização das dependências da universidade para o CDC e até mesmo a divulgação dos objetivos e atividades do programa. O magistrado ainda ordenou que seja dada publicidade à decisão – divulgada no site do CDC -, mas se negou a estipular uma multa diária à Ufop porque “não existem registros de descumprimento” da ordem judicial.

A reportagem tentou falar com o professor André Mayer, mas, segundo a assessoria da universidade, ele estava em reunião com o reitor no início da noite desta quarta-feira, 28. A instituição informou que vai recorrer da decisão para retomar o programa. O CDC recebeu diversas mensagens de “apoio e solidariedade” de docentes da própria Ufop e de outras instituições como a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Fonte: A Tarde

Procurador da UFMT intimida estudantes de Sinop: ‘Vocês vão empenhar a cueca’

Adufmat

O procurador federal da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Osvaldir Pinto Mendes, tentou intimidar os estudantes do campus de Sinop a cumprirem ordem de reintegração de posse da reitoria no campus de Cuiabá, onde estavam acampados desde o dia 5 de agosto, ou seja, há 12 dias.

A pedido da UFMT, na quinta-feira (15) o juiz Cesar Bearsi, da 3ª Vara Federal em Mato Grosso, determinou o “despejo” de qualquer espaço universitário, com multa de mil reais por dia, em caso de descumprimento. No despacho, o juiz já autorizou também a atuação da Polícia Federal, para uma possível retirada à força.

“Não se esqueçam da multa de mil reais que nós não vamos perdoar. Vocês vão empenhar a cueca de vocês, mas nós vamos cobrar mil reais por dia”, ameaçou.

O estudante de Publicidade, Sérvulo Neuberger, pediu respeito ao procurador por duas vezes. “Mais respeito aí heim, mais respeito aí”.

Após essa ocorrência, o procurador se negou a dar entrevista.

“Coisa mais absurda”, disse o presidente da Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT), Carlos Roberto Sanches, ao ver o registro audiovisual. Segundo ele, isso não pode acontecer dentro de um espaço universitário. “Para mim isso ainda é o reflexo das manifestações ditatoriais presentes na história recente do país e que ocorrem nas universidades também”.

Mediante essa situação de despejo, o grupo resolveu cumprir a ordem judicial, levantou o acampamento e voltou para Sinop na sexta (16), com a certeza de que vai acompanhar o cumprimento das promessas feitas durante o período de negociação com a reitora Maria Lúcia Cavalli Neder, especialmente em reunião de última hora, realizada na quinta. A estudante Karine Miller, afirma que a reunião foi marcada por outras ameaças. A reitoria nega.

Com o acampamento, os alunos denunciaram o caos no ensino da UFMT em Sinop, onde faltam professores e técnicos, salas de aula, material e equipamentos, biblioteca decente e computadores, entre outras necessidades básicas. É grande a lista de problemas, que colocam em dúvida a qualidade da formação acadêmica.

Em Sinop, terão agora que decidir se encerram uma greve que se estende desde 22 de julho.

Ao voltar para casa, os alunos de Sinop deixaram um último ato de rebeldia. Uma faixa em frente à reitoria, escrito assim: “Disponível para ocupação”, em uma clara indicação aos demais grupos insatisfeitos com o andamento da Universidade, para que também reajam.

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Keka Werneck, da Assessoria de Comunicação da Adufmat-S.Sind.

MEC volta atrás e exige doutorado de professor de federal

Folha de S. Paulo

Após proibir universidades de cobrarem pós-graduação para seleção de docentes, ministério endurece regras.Contratação de pessoas sem esse título será aceita em regiões remotas ou em cursos com poucos doutores

 

O candidato a docente em universidades federais deverá ter título de doutor. Essa deverá ser a regra, sujeita a exceções, para entrada de novos professores nessas instituições de ensino.

A nova exigência altera lei, em vigor desde março, que trouxe dor de cabeça para as federais. Como a Folha revelou no mês passado, o MEC tinha dispensado a exigência de mestrado e doutorado, permitindo que docentes apenas com graduação pudessem disputar as vagas, mas depois recuou.

A partir de agora, a exigência mínima será o doutorado.

“Para não ser doutor, o órgão superior, o conselho universitário, tem que aprovar os casos excepcionais”, disse o ministro Aloizio Mercadante (Educação) em audiência no Congresso Nacional.

A exceção será aceita em apenas duas condições: cursos em regiões mais remotas ou graduações em que há carência de doutores -caso de artes, por exemplo.

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