Abertas as inscrições para o Prêmio Adelmo Genro Filho

SBPJor

As inscrições para a 11ª. Edição do Prêmio Adelmo Genro Filho (PAGF) de Pesquisa em Jornalismo já estão abertas e vão até o dia 10 de julho. Para a edição de 2016, poderão concorrer os trabalhos defendidos em 2015, de 01 de janeiro a 31 de dezembro, nas categorias Iniciação Científica/TCC, Mestrado e Doutorado.

O Prêmio PAGF foi criado em 2004 pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), para valorizar de forma individual as contribuições relevantes para o campo da pesquisa em jornalismo.

A jornalista Claudia Quadros está na coordenação geral do Prêmio Adelmo Genro Filho 2016. Professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFPR, ela já foi vice-presidente e diretora científica da SBJor.

As comissões julgadoras de cada uma das categorias do PAGF são compostas por membros designados pela coordenação do PAGF conjuntamente com a diretoria e integrantes do Conselho Científico da SBPJor. A comissão julgadora deliberará pelo voto da maioria de seus membros. Na categoria sênior, a escolha é feita pela diretoria e pelo Conselho Científico da SBPJor, mas todo sócio da SBPjor pode enviar uma indicação ao PAGF até 10 de julho. Nesta categoria, é considerada a trajetória acadêmica e a contribuição do pesquisador para o campo do Jornalismo.

A Comissão julgadora do Prêmio PAGF avaliará os trabalhos até 30 de setembro de 2016. A entrega do Prêmio será feita durante o 14º. Encontro Nacional da SBPJor, que acontece entre os dias 9 e 11 de novembro de 2016 na Unisul, em Palhoça, Santa Catarina.

Acesse a Ficha de Inscrição e o Regulamento.

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Jornalismo mais perto da escola

Folha de S. Paulo

Ficção e jornalismo se influenciaram ao longo da obra de García Márquez

 

A atuação jornalística de Gabriel García Márquez influenciou tanto a sua ficção, e vice-versa, que o colombiano gerou um paradoxo: “Os editores do jornal se queixam de que meu estilo é muito literário, e os críticos literários reclamam que meu estilo é muito jornalístico”.

A citação é feita pelo tradutor e ensaísta Léo Schlafman no prefácio de “Reportagens Políticas” (Record), um dos cinco volumes que que reúnem sua produção jornalística dos anos 1940 aos 1980 —a maioria é composta de crônicas, reportagens, artigos e entrevistas.

Trocou o curso de direito pelo jornalismo em 1950. Em sua carreira se destacam as reportagens investigativas, personagens que remetem ao realismo mágico de sua ficção e a defesa política que fez de regimes como a ditadura cubana, seja em artigos de opinião ou reportagens.

Para García Márquez, um dos principais problemas do jornalismo atual estava na formação. Ele defendia uma aproximação entre os veículos de imprensa e as escolas.

Ensino do jornalismo, pesquisa exploratória e zona de conforto

Observatório da Imprensa

Por Carlos Castilho

A Faculdade de Jornalismo da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, acaba de criar um Centro de Inovação Jornalística e Engajamento Cívico, cuja missão é explorar novas formas de exercer o jornalismo em ambiente digital, especialmente aquelas vinculadas à relação entre profissionais e as comunidades sociais.

Trata-se de uma nova tentativa de recuperar a ideia de um jornalismo associado à causas sociais, responsável por um aguda polêmica no ambiente profissional durante os anos 1970 e 80, quando o professor Jay Rosen e o editor de jornais Davis Merritt lançaram a ideia do jornalismo cívico, logo em seguida apoiada financeiramente pelo hoje desativado Pew Center for Civic Journalism.

Trata-se de mais uma universidade americana que decide explorar novas áreas de exercício do jornalismo em ambiente digital, partindo de uma perspectiva de que é necessário experimentar, mesmo correndo o risco de insucesso. As universidades americanas estão empenhadas em explorar áreas pouco conhecidas do jornalismo em ambiente digital, enquanto as instituições de ensino superior no Brasil dedicam-se a uma interminável polêmica sobre normatização dos currículos acadêmicos.

Enquanto uns tentam entender a nova realidade a partir de experiências em campo, em especial na redescoberta do papel das pessoas na produção de notícias, outros se preocupam em definir e regulamentar algo que está reconhecidamente em processo de transição. O nosso grande desafio hoje é identificar o novo contexto da produção jornalística e não o de tentar definir algo que pode estar ultrapassado dentro de meses.

A preocupação exploradora das universidades americanas no campo do jornalismo provavelmente busca desenvolver estratégias editoriais para resolver os agudos problemas da imprensa local e depois exportá-las para o resto do mundo. Já no Brasil o empenho na discussão de normas e regulamentos talvez seja uma consequência da histórica dominação dos grandes conglomerados da imprensa brasileira sobre as faculdades de jornalismo, colocadas diante da opção de formar mão de obra para as redações ou produzir teóricos da comunicação.

Estamos perdendo uma oportunidade única de pesquisar a nova realidade comunicacional e informativa que está surgindo no Brasil sem a necessidade de grandes recursos financeiros. O ingrediente básico é o envolvimento com a comunidade, porque é aí que podem ser identificados os novos rumos do jornalismo. As novas tecnologias nivelaram profissionais e praticantes do jornalismo ao permitir que ambos possam comprar os equipamentos básicos a preços toleráveis. O diferencial está na postura diante da realidade social.

As faculdades de jornalismo no Brasil parecem temerosas de abandonar a zona de conforto de uma atividade acadêmica voltada para dentro de si própria ou para as empresas patrocinadoras. O desafio está nas ruas e nas comunidades sociais porque é nesses locais que estão os dilemas urbanos, ao contrário do que sucedia até agora nas coberturas jornalísticas com a predominância das fontes oficiais e os especialistas como interpretes da realidade que nos cerca.

Nos anos 1970-80, a ideia de jornalismo cívico não prosperou nos Estados Unidos porque estava ligada às campanhas eleitorais visando reduzir a apatia e abstenção, e preconizava o abandono do tradicional princípio da isenção jornalística diante de problemas sociais. Nos demais países a proposta não vingou porque esbarrou nos preconceitos ideológicos da, então vigente, dicotomia entre capitalismo e comunismo.

Quase 40 anos depois, o jornalismo cívico em estudo na Universidade de Oregon não parte mais de uma preocupação eleitoral, mas sim da visão de que é necessário desenvolver uma nova narrativa jornalística baseada na interatividade entre profissionais ou praticantes de atos jornalísticos e o público. O tão badalado “engajamento comunitário” é hoje um grande desafio para os pesquisadores americanos, que veem no relacionamento com o público também uma possibilidade de identificar novas estratégias de sustentabilidade econômica.

CCJ da Câmara aprova PEC do diploma em jornalismo

 

protestam a favor do diploma de jornalista (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

Manifestantes protestam a favor do diploma de jornalista (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

Via Brasil de Fato

Proposta acrescenta na Carta Magna a obrigação de formação em curso específico para exercer a profissão; texto agora será analisado por uma comissão mista

Mário Coelho,

do Congresso em Foco

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou, nesta terça-feira (12), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 206/12, que institui a obrigatoriedade do diploma em jornalismo para exercer a profissão. Aprovada pelo Senado no ano passado, a PEC agora deverá ser analisada por uma comissão especial antes do plenário.

Nesta fase, os deputados analisam apenas a admissibilidade da PEC. Ou seja, se o Congresso pode sugerir a mudança na Constituição sobre o tema e se o texto está de acordo com as normas legislativas. O mérito da proposta só é apreciado na comissão especial, que não tem prazo para ser criada.

A aprovação da PEC é uma resposta a decisão do STF de 17 de junho de 2009. Na oportunidade, a mais alta corte do país decidiu, por oito votos a um, acabar com a exigência do diploma de curso superior específico para a prática do jornalismo. Na época, os ministros entenderam que o Decreto-lei 972/69, editado durante a ditadura militar e que regulamentava a profissão, afrontava a Constituição Federal.

Após a revogação, uma série de PECs foram apresentadas na Câmara e no Senado. A aprovada pela CCJ hoje é do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Conhecida como PEC dos Jornalistas, foi aprovada no plenário do Senado em 7 de agosto do ano passado. Desde então estava parada na Câmara. Se os deputados não modificarem o texto na comissão especial, pode ser promulgada pelo Congresso após votação em dois turnos em plenário.

“Com efeito, respeitosamente, ousamos discordar do entendimento firmado pela Excelsa Corte de Justiça, pois não vislumbramos que a referida obrigatoriedade de diplomação para o exercício da atividade profissional ofende a liberdade de pensamento, de expressão ou de comunicação, independentemente de licença”, disse o relator, Daniel Almeida (PCdoB-BA), no parecer.

Sobre os conceitos de jornalismo e os papéis atribuídos aos jornalistas

Nilson Lage

Tal como o direito ou a engenharia civil, o jornalismo é uma prática social que decorre da evolução da sociedade e consequente fragmentação de conhecimentos e funções da vida social. Convergem para ele duas vertentes: a dos sacerdotes e arautos que levavam a público decisões da Igreja e do Estado; e a dos aedos, menestréis ou outro nome lhes deem, que percorriam aldeias, praças e castelos contando histórias atraentes e difundindo ideias espantosas.

Ao contrário do direito e da engenharia civil, o jornalismo como conhecemos só se torna visível século e meio após a invenção da imprensa, quando a burguesia ascendente utiliza periódicos para difundir seu projeto de poder contra os estados aristocráticos europeus; disso decorreu o viés restritivo que o colocou a serviço de objetivos ideológicos definidos. Por essa circunstância histórica, o entendimento da profissão admite dois conceitos – um mais amplo; outro, datado conforme o lugar e a época.

No conceito amplo, que os críticos chamam de neutro, jornalismo é atividade de natureza técnica caracterizada por compromisso ético peculiar. O jornalista deve saber selecionar o que interessa ao público (o seu público, o público-alvo) e o que lhe é útil; buscar a associação entre essas duas qualidades, dando à informação veiculada a forma mais atraente possível; ser verdadeiro quanto aos fatos (verdade, aí, é a adequação perfeita do enunciado aos fatos) e fiel quanto às ideias de outrem que transmite ou interpreta; admitir a pluralidade de versões para o mesmo conjunto de fatos, o que é um breve contra a intolerância; e manter compromissos éticos com relação a prejuízos causados a pessoas, coletividades e instituições por informação errada ou inadequada a circunstâncias sensíveis.

Não é um tribuno ou um prócer. Como disse o repórter Joel Silveira (1918-2007), jornalista não é quem toca na banda, mas quem vê a banda passar.

Por essa concepção, o jornalismo profissional é exercido em empresas e microempresas de informação ou como atividade autônoma, mas nada impede seu exercício também em empresas em geral, instituições públicas e privadas e órgãos de governo. Em qualquer organização em que atue, o jornalista deverá empenhar-se pela mais ampla difusão dos fatos de interesses público, pela confiabilidade dos dados, relatos e análises de terceiros que divulga e pelo respeito à pluralidade de interesses que conflitam na sociedade.

O jornalista que trabalha em instituição não midiática, quer produzindo órgãos internos (home organs) ou destinados a públicos externos (news letters), quer intermediando o contato com veículos jornalísticos, deverá divulgar honestamente os fatos e os pontos de vista da instituição sem necessariamente se comprometer com eles, da mesma forma que o advogado defende seu cliente sem assumir o ônus de presumível culpa: será visto e deverá assumir-se como porta-voz, não como autor do discurso.  O limite, nesses casos, é a exceção de consciência, situação excepcional que impossibilita a relação de confiança, envolve valores religiosos, morais ou éticos de grande relevância e leva à ruptura do relacionamento profissional – em alguns casos, à delação de procedimentos julgados iníquos.

As razões da crítica e a crítica da crítica

O jornalismo encontra dificuldades específicas: toda estrutura de poder teme ser devassada e tende a resguardar mais informações do que seria necessário; enquanto para advogados o compromisso é com a lei, estabelecida previamente, o do jornalista é com pessoas cujas reações não são sempre previsíveis; o duplo comprometimento (com a fonte e o público) implica frequentes conflitos de interesse.

A discordância se revela em questões de linguagem: do ponto de vista da comunicação, carro é melhor do que viatura (de polícia) ou veículo (militar, na engenharia de tráfego); geladeira é preferível a refrigerador, negar a denegar (um mandado judicial), barriga a abdome, casa a residência, perto a próximo etc.: as primeiras de cada um desses pares são mais comuns e, portanto, exigindo menos esforço de codificação, têm entendimento mais imediato. No entanto, as corporações de ofício buscam racionalizar o processo de designação e desdenham da nomeação popular, historicamente consolidada; e a linguagem técnica, além de zelar pela precisão, atua sempre como diferencial corporativo.

A crítica do conceito amplo de jornalismo apoia-se na constatação de que todo enunciado carrega associações semânticas e emotivas que diferenciam segurança de capanga, ditador de líder, o indivíduo generosos do perdulário etc. ; ao reproduzir sem crítica discurso iníquo, o jornalista estaria também sendo iníquo (apenas se o fizesse com um discurso virtuoso, seria igualmente virtuoso).

Já a crítica da crítica, efetivada no Século XX, na fase empresarial do jornalismo, sustenta que a possibilidade da crítica está, na verdade, aberta aos gestores e acionistas das empresas e instituições, que delegam esse privilégio conforme seus valores e interesses, e não aos jornalistas individualmente, meros empregados, ainda que qualificados. A proteção corporativa e ética é vulnerável e eventualmente inexiste.

Os jornalismos militantes

Outras concepções de jornalismo atribuem ao jornalista, além das competências do ofício ou mais do que elas, o dever da militância a serviço de causas julgadas nobres; isso se aplica não apenas à opinião expressa ou interpretação dos fatos, mas a escolhas temáticas e ao próprio relato factual. Trata-se de traço peculiar, já que essa participação, própria da cidadania, não é particularmente exigida de advogados, engenheiros ou qualquer outros profissionais no exercício de suas atividades.

A partir do Século XVIII, quando a imprensa periódica surge em burgos alemães e, logo depois, em centros comerciais da Holanda e da Inglaterra, o jornalismo prosperou associado à luta pelo poder. Isso não mudou essencialmente com a derrocada da aristocracia e a adoção de uma estrutura industrial pela imprensa, no Século XIX europeu: o Estado permaneceu como uma espécie de árbitro regendo o contrato social sob a hegemonia burguesa – freio, portanto, à motivação dessa classe social pelo máximo lucro, a propriedade prioritária de ideias como a de bensm, o sigilo dos negócios e nenhum controle estatal da produção e tráfego de mercadorias.

Inicialmente, o conteúdo valorizado da mídia jornalística geral compreendia temas de interesse geral dos setores produtivos e burocráticos – da política à economia, do clima ao transporte, da legislação à administração pública. À medida que o jornal-empresa abriu-se à conquista de público mais amplo, acrescentaram-se ao rol outros assuntos: o esporte, o crime, a luta dos trabalhadores pela sobrevivência e por uma fatia de poder, a recreação e vida social.

Essa nova temática, com forte conotação emocional e menor compromisso com a fidelidade aos fatos, marca o importante ciclo do sensacionalismo na imprensa dos Estados Unidos, agigantando o negócio da informação. Foi como reação ao sensacionalismo (e ao desgaste da credibilidade e prestigio político das empresas) que se formularam, no início do Século XX, na América, regras formais buscando tornar as notícias representações tão perfeitas quanto possível de flagrantes da realidade.

Os processos então adotados conseguiram por algumas décadas sustentar a busca, que logo se mostraria utópica do enunciado jornalístico como conjunto de representações voltadas, à maneira das ciências da natureza, para os objetivos noticiados e formuladas conforme os códigos e valores presumíveis do público.

A empresa de mídia

Na prática, a empresa midiática típica é um empreendimento de porte médio ou grande porte, dependente de publicidade, tecnologia e financiamento – quer dizer, do comércio, da indústria e dos bancos. Nela, o compromisso com a informação pública precisa compor-se, em maior ou menor grau, com a defesa dos interesses gerais dessa clientela privilegiada. Da composição resulta a representação do jornalismo como poder moderador ou quarto poder (os três outros: legislativo, executivo e judiciário).

O Estado – os governos, na verdade – são o alvo preferencial da atividade investigativa dos veículos da mídia. Não significa que esta ou aquela empresa, conjunto, organização de empresas ou entidade não estatal seja eventualmente poupada de críticas. O fenômeno, aí, é outro: o compromisso com o sistema não se estende automaticamente a seus componentes. É como a revista especializada em turismo ou automóveis que aponta eventualmente defeitos no atendimento dos hotéis ou em veículos recém-lançados no mercado. O projeto, aí, não é hospedagem ou marca; é cultivar a necessidade do passeio e das férias, a paixão e a ilusão de poder que o automóvel propicia; isso exige credibilidade, que se conquista demonstrando isenção.

O jornal-empresa – e a mídia comercial em geral – deve, por definição, dar conta das contradições das sociedades que se revelam nos setores produtivos e se ampliam na era do consumo, opondo, por exemplo, a área de finanças à área produtiva, acionistas e gestores, trabalhadores e patrões, grandes empreendimentos e pequenos empresários etc. Tem também que lidar com o comportamento das categorias profissionais organizadas, diferenças culturais e tudo mais que cria conflitos e, assim, gera notícias.

A amplitude e natureza com que cumpre essas funções a que se propõe, o grau de ideologização que reveste sua cobertura, variam conforme o clima político da época e o público a que o veículo ou editoria se destina (trabalhadores, empresários e gerentes, consumidores domésticos etc.). Nas últimas décadas, os estados nacionais passaram a ceder parcelas crescente de seu poder a corporações financeiras e organismos gestores multinacionais que, muitas vezes, decidem em última instância; esse é um problema suplementar das redes e empresas maiores do setor, fortemente dependentes do capital globalizado.

O jornalismo como discurso contraditório

A tese do jornalismo voltado para a defesa intransigente de um causa vai além do fenômeno histórico que a originou e da consequente instrumentação pelos agentes econômicos. A aristocracia, originalmente, e, logo em seguida, organizações revolucionárias de base declaradamente proletária e movimentos culturais contestadores cuidaram de copiar o espírito do jornalismo combativo e visionário do pós-renascimento.

As dificuldades, aí, são de outra ordem. Vão desde a censura expressa à desqualificação das mensagens; da falta de estrutura para a captação de informação primária (que torna os veículos meros construtores de versões sob e fatos já noticiados, com orientação geralmente previsível) até a indisposição da liderança de grupos militantes (como sindicatos e partidos políticos) para os discursos referenciais próprios da objetividade formal dos veículos institucionais e da mídia empresarial.

Talvez o problema maior, no entanto, seja este: os indivíduos formulam seus juízos sobre o mundo, a sociedade e natureza com base na ideologia dominante em sua sociedade, que penetra e determina percepções e possibilidades de enunciação. Ora, essa ideologia, é essencialmente a da classe dominante ou uma composição elaborada para encobrir paradoxos no seio da classe dominante; por definição, não contempla os objetivos perseguidos pela mídia contraditória (nos planos ético, moral, religioso etc) ou revolucionária no plano político.

IIº Simpósio de Jornalismo e Direito do Araguaia recebe trabalhos científicos

José Bonfim e Yrla Braga

Panfleto Final Simpósio

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O período de submissão dos trabalhos científicos para o II Simpósio de Jornalismo e Direito vai até o dia 16 de agosto. Os textos completos, que podem ser produzidos por estudantes, professores e pesquisadores, devem conter de 6 a 15 páginas, e tratar de assunto que tenha familiaridade com a temática do evento e/ou contribua para o debate da mídia e do judiciário.  O regulamento completo, com todas as normas para a produção dos textos, está disponível no link http://simposiojd2013.blogspot.com.br/p/regulamento.html.  O encaminhamento do trabalho deve ser através do blog www.simposiojd2013.blogspot.com.br, na área destinada a submeter trabalho

Uma comissão científica avaliará as produções submetidas, considerando a qualidade das análises e argumentos, a importância teórico e prática, a riqueza bibliográfica e a originalidade, devendo também estar dentro normas do regulamento. Os trabalhos escolhidos pela Comissão serão apresentados oralmente durante o Simpósio. A divulgação da lista dos trabalhos aceitos será publicada, no dia 19 de agosto, no blog do evento.

Os participantes que submeterem e apresentarem trabalhos durante o Simpósio serão certificados pela apresentação dos mesmos. Os textos serão publicados em Anais, disponíveis em CD para o aluno participante, todos com Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas (ISSN).

Esta é a 2ª edição do Simpósio, que acontecerá 27 a 30 de agosto e terá como tema “O papel da mídia e do judiciário na construção da Justiça Ambiental”. Profissionais convidados das três áreas envolvidas, direito, jornalismo e meio ambiente, debaterão em conjunto pontos importantes sobre a temática, através de palestras, mesas de debate, oficinas e minicursos.

As atividades serão realizadas na Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário do Araguaia (CUA), unidade de Barra do Garças. O evento tem como organizadores acadêmicos e professores dos cursos de direito e jornalismo da UFMT-CUA e seus respectivos centros acadêmicos, e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).

Inscrições

preços com descontos até 16 de agosto

Programação-2

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Estão abertas as inscrições para o II Simpósio de Jornalismo e Direito do Araguaia, que acontecerá de 27 a 30 de agosto em Barra do Garças.  Até o dia 16 de agosto as inscrições custam 25 reais para graduandos e recém-graduados e 45 reais para professores e profissionais. As inscrições podem ser realizadas no blog http://simposiojd2013.blogspot.com.br. O pagamento da inscrição pode ser realizado com cartão de crédito no próprio sistema ou através de um boleto que deve ser pago em qualquer banco ou casa lotérica, até a data do vencimento.

A partir dos dia 16 de agosto as inscrições custam 45 reais para graduados e recém- graduados e 70 reais para professores e profissionais. No dia 27, primeiro dia do evento, as inscrições somente podem ser realizadas no local do simpósio, com o valor de 65 reais para graduados e recém-graduados e 90 reais para professores e profissionais.

O Simpósio deste ano será sobre a temática “O papel da mídia e do judiciário na construção da Justiça Ambiental”, reunindo profissionais, professores e pesquisadores de diversas regiões do país em palestras, mesas redondas e minicursos. As atividades acontecerão na Universidade Federal de Mato Grosso Campus Universitário do Araguaia (CUA), Barra do Garças, nos turnos da manhã, tarde e noite. Os participantes também podem submeter e apresentar trabalhos científicos. A certificação é de 40 horas. Confira a programação em anexo e/ou no blog.

***

Texto produzido pelos estudantes do 5º semestre de Jornalismo José Bonfim e Yrla Braga, integrante da Assessoria de Comunicação do IIº Simpósio de Jornalismo e Direito. Contato: simposiojod@gmail.com

Bolsas para curso de Jornalismo Investigativo no RJ

Lorena Bruschi

Via Facebook

Jornalistas podem concorrer a 12 bolsas para ir à 8° Conferência Global de Jornalismo Investigativo no Rio de Janeiro

O Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS) e a organização Transparência Internacional estão oferecendo 12 bolsas para jornalistas da América Latina http://colpin.ipys.org/?page_id=141 interessados em participar na quarta edição do Curso Avançado de Jornalismo Investigativo, CAPI 2013: http://www.capi.ipys.org/ , e assistir à 8° Conferência Global de Jornalismo Investigativo: http://gijn.org/global-conference/global-conference-espanol/ , que acontecerá em outubro no Rio de Janeiro.

O curso terá como foco o tema do narcotráfico, e no final os participantes poderão obter financiamento para seus projetos. IPYS oferecerá até 6 mil dólares para cada participante que decidir apoiar.

O programa da bolsa consistirá em duas etapas. Na primeira, os participantes viajarão ao Rio de Janeiro de 12 a 15 de outubro para a Conferência Global de Jornalismo Investigativo, aonde poderão falar com jornalistas e outros profissionais sobre seus planos de investigação. Na segunda, os jornalistas trabalharão com um assessor que os ajudará a desenvolver seu projeto.

Os interessados deverão enviar uma descrição de seu projeto de investigação (que deverá se concentrar em algum tema relacionado ao narcotráfico e ser realizável em um prazo não maior que quatro meses), duas investigações já publicadas em algum veículo de comunicação, uma biografia do solicitante com uma foto recente, e um orçamento, caso o projeto precise de financiamento.

Para maiores detalhes ou para enviar sua informação, fale com os organizadores do curso pelo e-mail capi2013@ipys.org.

Revista Estudo em Jornalismo e Mídia

Imagem para capa da revista

Estudos em Jornalismo e Mídia
v. 10, n. 1 (2013): Práticas e Profissionalidades Jornalísticas
Sumário
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/issue/view/1988

Apresentação
——–
Práticas e profissionalidades jornalísticas (1-3)
Rogério Christofoletti

Núcleo Temático
——–
Sindicalização e identidade política dos jornalistas brasileiros (4-24)
Samuel Pantoja Lima,    Jacques Mick

O jornalista como receptor-trabalhador: confronto da atividade real de
comunicação e trabalho (25-40)
Roseli Figaro,  Rafael Grohmann

O etnógrafo e o jornalista: o olhar e a escuta como ferramentas de trabalho
(41-51)
Karina Galli Fraga da Silva

Comunicação na gestão de crises: a “Deontologia” da atividade
jornalística (52-68)
Artemio Reinaldo de Souza,      Richard Perassi Luís de Sousa,  Kamil Giglio

As dissonâncias cotidianas nas rotinas dos jornais: o habitus jornalístico
e a atribuição de um sentido hegemônico às notícias (69-84)
Marcos Paulo da Silva

O jornalista enquanto herói : uma proposta para análise das
representações do jornalismo no cinema (85-102)
Vitor Luiz Menezes Gomes

Temas Livres
——–
Upton Sinclair e as origens da crítica à imprensa segundo o modelo da
propaganda (103-120)
Francisco Rüdiger

O jornalismo como história imediata (121-144)
Virginia Pradelina da Silveira Fonseca, Roberto Anderson Dornelles

O acontecimento e as fontes de informação no jornalismo: da abordagem
ritualística à hermenêutica (145-164)
Thales Vilela Lelo

A delimitação do corpus na pesquisa em jornalismo: o interdiscurso como
método (165-182)
Sabrina Franzoni

O jornalismo em forma de carta no primeiro século da Era Cristã: uma
análise das epístolas bíblicas de São Paulo a partir das principais
características jornalísticas (183-204)
Kevin Willian Kossar Furtado,   Sérgio Luiz Gadini

Percepciones sobre el interés de las cuestiones ambientales en la agenda
mediática, pública y política: un caso de estudio en la prensa argentina
local (205-222)
Luis González Alcaraz

As estratégias ‘para o seu filho ler’: um estudo do contrato de leitura
da seção infantil do jornal Zero Hora (223-238)
Lara Niederauer Machado,        Viviane Borelli

O suplemento como mapa da vida cultural: análise do caderno Cultura (2010)
de Zero Hora (239-255)
Sara Keller,    Cida Golin

Muito além do jornal: a nova imprensa sindical (256-273)
Guilherme Gonçalves Carvalho

Resenhas
——–
O fio da meada (274-278)
Melissa Bergonsi

Revista Estudos em Jornalismo e Mídia
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo

Novo currículo do curso de jornalismo escamoteia poder do oligopólio

Carta Maior

Pesquisadores acadêmicos de alto quilate conseguiram a proeza de propor as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Jornalismo sem se pronunciar sobre como se configura o sistema empresarial, oligopólico, firmado sobre a propriedade cruzada de diferentes meios de comunicação

 

 

Pedro Pomar

Estão prestes a ser homologadas pelo ministro da Educação as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Jornalismo, aprovadas pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) em 20/2/2013. O Parecer 39/2013 CNE/CES pouco alterou o relatório final da chamada Comissão Marques de Melo. O estágio obrigatório de 200 horas foi mantido, apesar da posição inicial desfavorável do relator.

A meu ver, a ausência mais aguda nas Diretrizes Curriculares é a do Capital. Um conjunto de pesquisadores acadêmicos de alto quilate conseguiu a proeza de reunir-se para tratar do Curso de Jornalismo tendo chegado ao final de seu trabalho sem se pronunciar sobre como se configura no Brasil o sistema empresarial, oligopólico, firmado sobre a propriedade cruzada de diferentes meios de comunicação, que dá as cartas na mídia e no jornalismo brasileiros. Dizendo de outra forma, o sistema responsável pela produção da maior parte do jornalismo brasileiro, diário ou semanal, seja ele impresso, televisivo, radiofônico ou digital, é ignorado no documento.

Desse modo, não há uma avaliação crítica do papel desempenhado no jornalismo pelos empregadores de importante parcela dos atuais e dos futuros jornalistas, empregadores esses dotados de notável poder econômico e político na sociedade brasileira, habituados a moldar o jornalismo que praticam de acordo com seus interesses. Eles deixaram de ser criticados pelos especialistas da “Comissão Marques de Melo”, que, no entanto, preocuparam-se em atender suas demandas, por exemplo por meio da figura do estágio obrigatório (“possibilitando a interação da universidade com o setor produtivo”) ou do Mestrado Profissional (recomendação felizmente ignorada pelo CNE/CES), que permitiria a “formação de profissionais especializados, pleito histórico das organizações jornalísticas” (leia-se: empresas de jornalismo).

Também no tocante à comunicação entendida como sistema global, mundial, o relatório que embasou as novas Diretrizes Curriculares valorizou excessivamente as redes sociais e a convergência digital, bem como os “novos sujeitos”, sem levar em conta que prossegue célere o processo de concentração e fusão das corporações gigantes de mídia, ou seja, dos capitais que atuam no setor. Por exemplo, afirmam os especialistas: “Os conteúdos da atualidade, veiculados pelos gêneros jornalísticos são, em esmagadora maioria, ações discursivas de sujeitos que agem no mundo e sobre o mundo por meio de acontecimentos, atos, falas e/ou silêncios. Valorizados pelas técnicas e pela identidade ética, esses conteúdos são socializados no tempo e no espaço do Jornalismo, pelos instrumentos da difusão instantânea universal. E assim, pelas vias confiáveis do Jornalismo, se globalizam idéias, ações, mercados, sistemas, poderes, discussões, interesses, antagonismos, acordos” (Relatório, p. 4). Tudo parece, assim, muito difuso e etéreo, quando a realidade é bem outra, mesmo na Internet, onde a presença das grandes corporações, bem como a ação de grandes Estados, é avassaladora.

Quando cita o mercado ou as empresas, o relatório final da “Comissão Marques de Melo” o faz acriticamente, como se o protagonismo desse setor nada tivesse a ver com o jornalismo que se pratica hoje (no Brasil e no mundo) ou com a formação jornalística. O jornalista, assim, apesar da retórica humanística do texto, ao fim e ao cabo é apenas força de trabalho para as empresas de jornalismo. Mas o Relatório não se limita a escamotear, na abordagem geral prévia, o oligopólio da mídia e do jornalismo. Ele também deixa de incluir esse tópico nos próprios conteúdos curriculares sugeridos. E o CNE/CES aprovou integralmente tais conteúdos.

O objetivo principal do relatório final parece ser subordinar a formação oferecida aos imperativos do mercado. É isso que explica os ataques presentes, no relatório, a um tipo de formação mais reflexiva, mais crítica dos meios de comunicação de massa, por exemplo: a teoria “passou a não reconhecer legitimidade no estudo voltado ao exercício profissional, desprestigiando a prática, ridicularizando os seus valores e se isolando do mundo do jornalismo” (Relatório, p. 12); ou: “A ênfase na análise crítica da mídia, quando feita sem compromisso com o aperfeiçoamento da prática profissional, abala a confiança dos estudantes em sua vocação, destrói seus ideais e os substitui pelo cinismo” (idem).

Observe-se, porém, a seguinte recomendação da Unesco, presente em publicação recente sobre os currículos de jornalismo: “Uma boa formação deve fornecer aos estudantes conhecimento e treinamento suficientes para que reflitam sobre a ética do jornalismo, suas boas práticas e sobre o papel do jornalismo na sociedade. Eles também devem aprender sobre a história do jornalismo, a legislação da comunicação e da informação e sobre a economia política da mídia (incluindo tópicos como propriedade dos meios, estrutura organizacional e competição)” (Modelo curricular da Unesco para o ensino do Jornalismo, Unesco, Brasil, 2010; página 6). Mais adiante, mesmo ressaltando que o curso pensado não se destina a formar pesquisadores acadêmicos, o texto diz: “Pretendemos, igualmente, preparar os estudantes para que sejam críticos a respeito do seu próprio trabalho e em relação ao de outros jornalistas” (idem, p. 7).

A “Comissão Marques de Melo” fechou seu relatório em 2009 e cita apenas a versão anterior (2007) do Modelo curricular da Unesco… Mas é importante assinalar que há uma preocupação da Unesco com essa questão (para quem trabalhamos? quem detém o poder no jornalismo?) que é simplesmente diluída, no documento dos especialistas, em considerações genéricas sobre a ética e a responsabilidade do jornalista.

Em nenhum dos seis Eixos de Conteúdo que constam do item 5 do Relatório (Conteúdos Curriculares) e foram aprovados in totum pelo CNE/CES consta algo consistente sobre o tema, exceto por uma vaga referência, no Eixo III, à “regulamentação dos sistemas midiáticos, em função do mercado potencial” (sic). Basta conferir isso nas páginas 11 e 12 do Parecer CNE/CES 39/2013.

Por fim, é bastante deplorável que o CNE/CES tenha mantido o estágio obrigatório, sob a forma de Estágio Curricular Supervisionado. Isso legitima e amplia a enorme pressão das empresas sobre os estudantes e sobre os cursos. O estágio em jornalismo tem sido um dos mais importantes fatores de aviltamento do mercado de trabalho dos jornalistas brasileiros, funcionando como instrumento de substituição de força de trabalho qualificada. Do ponto de vista simbólico, ele reforça a propaganda das empresas de que só elas dominam o saber jornalístico, e dilui a pressão sobre as escolas de jornalismo para que ofereçam laboratórios de boa qualidade e corpo docente qualificado.

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