Diversidade para inovar

Folha de S. Paulo – TENDÊNCIAS/DEBATES

Berthier Ribeiro-Neto

Poucas mulheres atuam em áreas como ciências da computação. O problema é real para a produtividade: equipes mistas têm melhores resultados

A força criativa das empresas modernas reside, cada vez mais, na soma das habilidades dos indivíduos que nelas trabalham.

A diversidade de ideias, culturas e experiências de vida que nos diferenciam uns dos outros constitui elemento essencial para a geração de produtos e tecnologias que antecipam as necessidades dos usuários, alteram paradigmas, e consequentemente alteraram o comportamento das pessoas. Isso é importante porque somente há inovação quando há alteração de comportamento.

Para criar um ambiente com diversidade de ideias e culturas, é preciso contratar pessoas com formação variada, com diferentes matizes raciais e religiosas, com boa proporção de homens e mulheres.

Conquanto pareça desnecessário frisar diversidade de sexo no início do século 21, há áreas do conhecimento, como as engenharias e as ciências da computação, em que a proporção de mulheres é baixa ou muito baixa, podendo chegar a frações inferiores a 5%.

O problema é real e de relevância para aumento da produtividade e criatividade ao largo, dado que equipes compostas por homens e mulheres produzem melhores resultados do que equipes compostas exclusivamente por homens.

Um estudo sobre registros de patentes ao longo de 25 anos (1980-2005) realizado pelo Centro Nacional para as Mulheres e Tecnologia da Informação, dos Estados Unidos, concluiu que equipes mistas produziram de 26% a 42% mais registros do que equipes compostas exclusivamente por homens.

O problema é particularmente agudo na área de ciência da computação, no qual as mulheres representam apenas 20% da força de trabalho –enquanto são 59% da força de trabalho profissional do Brasil, de acordo com pesquisas do Google.

Desde 2001, a participação feminina nos cursos de ciência da computação no país, uma área fundamental nos tempos de inovação digital, caiu de 30% para meros 15%. O futuro de curto prazo promete menos mulheres num mercado já dominado pelos homens.

Há várias razões para o fenômeno. É fato que há um certo preconceito social com as engenharias em geral como uma área boa para os homens, mas difícil para as mulheres. Como resultado, logo no início do segundo grau, quando os jovens começam a pensar no curso que farão na universidade, as mulheres são estimuladas a considerarem em primeiro plano as ciências humanas e biológicas, com ênfase maior para os cursos de medicina e direito.

Mudar um tal estado de coisas requer reinventar a imagem das engenharias e das ciências da computação no imaginário popular. Um passo inicial importante é divulgar a presença de mulheres de sucesso nas engenharias e nas empresas de alta tecnologia, como modelos inspiracionais para os jovens. Outro é estimular a contratação de mulheres nas engenharias.

Como país que entende o poder da inovação na geração do crescimento econômico sustentável, precisamos estimular uma nova geração de mulheres apaixonadas pela matemática, física, ou química que, no momento de escolha da profissão, sejam capazes de sonhar com um futuro brilhante nas empresas modernas de engenharia e tecnologias de informação.

BERTHIER RIBEIRO-NETO, 53, é diretor de engenharia do Google para a América Latina

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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