Andragogia X Pedagogia

O  Popular/Opinião

Paula Caleffi

As instituições estão preparadas ou procurando se preparar para proporcionar a esse jovem adulto um processo de aprendizagem que seja potencializado pela sua história de vida?

 

O termo andragogia remete à compreensão do processo de aprendizagem do adulto. Vem de andros, que significa homem em grego. Ele não se opõe a pedagogia que, por sua vez, remete à compreensão do processo de aprendizagem da criança. Paidós significa criança, também em grego. Mas o fato de haver um termo específico para a educação de adultos denota que os gregos já sabiam que os adultos possuem estratégias específicas de aprendizagem decorrente justamente da sua situação.

Os estudiosos de educação, neste ponto, estão em dívida com os adultos, pois se encontramos uma abundante produção sobre pedagogia, quase nada se produziu até hoje sobre andragogia. O que se encontra é uma tentativa de adaptar-se princípios e métodos da pedagogia para a andragogia, como se a última não constituísse um campo de estudo.

Essa é uma realidade mundial, porém no Brasil ela toma contornos especiais: o nosso País está ampliando o acesso ao ensino superior. A chamada nova classe média está chegando às universidades e esse perfil de alunos tem importantes características como: em geral, é um adulto que já está no mercado de trabalho e entende que voltar a estudar é uma maneira de seguir progredindo no mesmo. Tem entre 22 e 30 anos, muitas vezes é o primeiro membro da família a ingressar na universidade e, não raro, já tem a sua própria família, ou seja, é um adulto com responsabilidades já estabelecidas, que estuda à noite e que não tem tempo a perder.

Essa é uma mudança maravilhosa no País. A questão é: as instituições estão preparadas ou procurando se preparar para proporcionar a esse jovem adulto um processo de aprendizagem que seja potencializado pela sua história de vida?

Esse adulto aprende melhor quando tem previsibilidade do seu plano de estudos, quando consegue saber com antecedência o que será desenvolvido em cada aula e o que se espera dele. Assim, ele pode se preparar, pode se concentrar nos objetivos, convergire relacionar memórias e experiências que tragam maior significado àquele aprendizado.

Diferente de uma criança, esse adulto já traz ricas experiências de vida, chega à sala de aula com uma carga de memória racional e emocional que não pode ser desprezada – ao contrário, deve ser usada a seu favor.

A relação professor-aluno também tem suas peculiaridades, pois o professor ali é alguém que detém maior domínio sobre um determinado tema ou competência específicos, mas não é alguém que saiba mais ou que tenha maior experiência sobre a vida do que o estudante, como acontece nas salas de aula infantis. Esse aluno adulto, boa parte das vezes, chega às universidades trazendo algumas competências.

A academia precisa ampliar a discussão sobre a educação de adultos, sobre como as experiências, as memórias, as diversas histórias que esses sujeitos trazem podem servir de alavancas para o seu aprendizado.

 

Paula Caleffi é diretora executiva de Ensino do Grupo Estácio

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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