Divulgação de pesquisa agora é critério para avaliação de cientistas

Folha de S. PauloPrincipal agência que financia ciência no país valorizará interação com a sociedade

A maior agência de financiamento de ciência do país vai dar pontos aos pesquisadores que divulgarem seus trabalhos para a sociedade. Um novo item de avaliação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) vai levar em conta o que os cientistas fazem para levar seu trabalho ao público e para promover a educação científica.

A agência avaliará, por exemplo, se os cientistas têm blogs pessoais sobre ciência, se divulgam à imprensa os resultados dos seus trabalhos e se promovem feiras de ciência em escolas. Essas descrições serão feitas pelos próprios cientistas em um novo item da plataforma Lattes, uma espécie de currículo on-line obrigatório para cientistas, que descreve suas atividades e seus vínculos institucionais.

Hoje, qualquer cientista que quiser ter uma bolsa de pesquisa, por exemplo, precisa ter o Lattes atualizado para que seja avaliado pelo CNPq. Há 1,8 milhão de currículos registrados. “Ao tomar essa medida, o CNPq coloca no rol de trabalhos dos cientistas as atividades voltadas à divulgação”, analisa Carlos Vogt. Ele é coordenador do Labjor, um laboratório da Unicamp que realiza trabalhos de divulgação científica e oferece cursos para cientistas e jornalistas sobre o assunto.

“O CNPq está motivando os cientistas a voltarem os olhos para o diálogo com a sociedade”, afirma Vogt. De acordo com a assessoria de imprensa do CNPq, o critério “divulgação e educação científica” da plataforma Lattes está entre os cinco principais temas usados na avaliação dos pesquisadores.

O novo critério estará ao lado de indicadores como produção científica -artigos em periódicos e capítulos de livros- e participação em congressos científicos. Junto com a aba sobre divulgação e educação de ciências, o CNPq também criou uma aba que pede que os cientistas descrevam a inovação de suas pesquisas.

Ambas, de acordo com o CNPq, devem estar disponíveis daqui a dois meses. O orçamento do CNPq foi R$ 1,5 bilhão em 2011, quando financiou 90 mil bolsistas.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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