Comunicação, em nome da liberdade

Não seria um exagero imaginar que os próprios donos das emissoras não convidariam seus nobres amigos para assistir determinados programas de finais de semana, ao sabor do tradicional vinho de dezenas de dólares

Informação – Nada mais comum em editoriais dos veículos de comunicação a defesa da intransigência da liberdade de expressão/comunicação, com o sentido de ser a pedra de toque de um mundo da democracia e liberdade. Difícil acreditar que são homens da comunicação que produzem e acreditam no produto que vendem, todos os dias, na tela da televisão – em particular – brasileira como algo de primeira grandeza e fundamental para o progresso de uma país. Com convicção.

As palavras ganham novas concepções no sentido empresarial, de modo que não deve impedir a liberdade de mercado, a rigor, muitos atrativos da telinha são de péssima qualidade, inclusive no jornalismo. Contudo, evidentemente, não se deve generalizar, bom que se diga.

O triste período militar no Brasil (1964-1985), em que jornalistas e intelectuais morreram ou foram torturados por uma ditadura efetivamente torpe, mereceu apoio de parte de nossa grande mídia, em um primeiro momento. Depois, como o acordo da retomada da “democracia” liberal foi rompido, a máquina voltou-se contra o governo; emergem, neste momento, as tradicionais defesas da liberdade de expressão. O sentimento é pela busca de palavras e não ações concretas – meus amigos que me perdoem.

Não seria um exagero imaginar que os próprios donos das emissoras não convidariam seus nobres amigos para assistir determinados programas de finais de semana, ao sabor do tradicional vinho de dezenas de dólares. Se assim for, pão e circo para as massas e o poder para os empreendedores/políticos.

Imprensa

O jornalismo por sua vez também precisa ser observado com cautela, pois o que se apresenta nos grandes jornalões está em sintonia com o propósito de formação da opinião pública, conforme interesses obscuros, particulares. Desta forma, tem-se uma comunicação que é feita para as massas, mas que no final atinge metas singulares, sobretudo político.

A discussão sobre liberdade de expressão/comunicação precisa ser feita a partir do bom senso, com objetivos sociais, de maneira honesta e sincera. A academia tem responsabilidade nesta crítica, pois há alguns nomes importantes, que obtêm resultados ao aderir à filosofia dos status quo, concernente ao modo de operação do sistema. Não por convicção, mas em nome da felicidade.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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