Alberto Dines defende regulação da mídia e diz que os jornais apoiaram o golpe militar

dines_-_o_diaDines discordou de diretores de jornais que avaliam que o veículo deve procurar novas formas de negócio.

O jornal impresso continuará a ser uma forte ferramenta de comunicação, não apenas se mantendo no mercado, mas com a possibilidade de crescimento.

Se o jornal baixar o nível para ser efêmero, ele perderá sua função. Não precisa falar de filosofia todas as semanas, mas precisa dar essa amarração, esse sentido às mudanças. A notícia é uma mudança.

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Comunique-se – 80 anos de idade, comemorado em fevereiro, e 50 anos de carreira, também festado neste ano. Com essas datas, o jornalista Alberto Dines foi entrevistado pelo jornal O Dia. Dividida em 18 perguntas e assinada por Fernando Molica e Bruno Trezena, a conversa foi publicada nesta segunda-feira, 5, na versão online e no impresso, onde ocupou duas páginas inteiras.

O tema principal discutido na entrevista foi o jornal. Dines se lembrou do trabalho à frente do Jornal do Brasil durante a ditadura militar – afirmando que se utilizou até da editoria de ‘Tempo’ para burlar a censura, como o texto “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”.  Sobre a relação militares e veículos de comunicação, o jornalista disse que os jornais, com exceção do Última Hora, apoiaram o golpe de 1964.

Alberto Dines foi entrevistado pelo jornal O Dia.

Questionado sobre o futuro da mídia impressa no mundo, Dines discordou de diretores de jornais que avaliam que o veículo deve procurar novas formas de negócio. O profissional, que é criador do Observatório da Imprensa, avalia que o jornal impresso continuará a ser uma forte ferramenta de comunicação, não apenas se mantendo no mercado, mas com a possibilidade de crescimento.

Dines, porém, ressaltou que o jornal-papel deve buscar estratégias diferentes das adotadas pelas empresas de comunicação online. Ele se mostra contrário ao veículos impressos se tornarem lugares de pouco conteúdo. “Se o jornal baixar o nível para ser efêmero, ele perderá sua função. Não precisa falar de filosofia todas as semanas, mas precisa dar essa amarração, esse sentido às mudanças. A notícia é uma mudança. O jornal tem que ser diferente da internet, se começar a ser igual, estaremos ferrados. Por enquanto, a internet vende audiência, não consistência”.

O que você acha da criação de um conselho de comunicação? Dines teve que responder a esta pergunta elaborada pela equipe do jornal O Dia. O jornalista afirmou que, caso criado, este conselho quase não terá função, porque se tentar fazer algo será “censório”. Ele, no entanto, expôs ser favorável a regulação da mídia eletrônica no Brasil. Para o profissional, o País poderia seguir o exemplo da lei criada nos Estados Unidos em 1934, que criou órgão regulador da imprensa.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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