Discurso midiático da globalização

O jornalismo neste século torna-se mais importante do que o estrangulamento econômico que determinados grupos devem se submeter e equilibrar-se

Nos tempos modernos continua havendo um grande debate acadêmico em torno das lógicas econômicas, que seriam responsáveis pela padronização do pensamento social, numa posição de esquerda. Na realidade o ponto de visão deve ser outro, pois não se trata do poder de lideranças empresariais de definir o conhecimento dos indivíduos para passividade diante de um sistema dominador.

O olhar, depois de séculos, de pura repetição talvez não tenha dado conta de perceber da realidade. A rigor, deste o surgimento da sociedade deve se observar o discurso, enquanto ponto de referência para a formação de conhecimento e relações sociais. Neste sentido, na globalização os meios de comunicação ganham notoriedade e importância administrativa da ordem global.

Já analisado exaustivamente por alguns autores, as diferenças de classes possivelmente não esteja na base econômica simplesmente, nem o resultado da atitude e valores de uma classe sobre outra, mas na reprodução discursiva de programas noticiosos, em especial, que estariam na formação da aceitação como norma das diferenças – consubstanciada com a necessidade do progresso -, cujo reflexo não atinge somente os espectadores, como também os valores culturais de uma classe de profissionais, os quais lidam diariamente com a informação que ativam percepções.

Um ciclo que passa inclusive pelos meandros da ciência, quando nos bancos das escolas, inclusive de jornalismo, enquadra o futuro profissional nas lógicas das práticas, definidas a partir dos chamados valores notícias do campo de comunicação. Numa observação atenta sobre a revista Veja é fácil perceber a grande preocupação do meio com o comportamento dos indivíduos, educação (inclusive sexual), política e tecnologias, com ponto fixo nas lógicas globais.

Não se trata de dizer que a globalização não existe, mas sua tessitura está assentada numa “fala” que reproduz um sistema, permitindo a continuidade com mais eficiência das grandes diferenças na sociedade – inclusive com o avanço da educação formal -, que não diz respeito a uma classe, mas países e grupos de indivíduos, dentre destas nações.

Desta forma, como exemplo, cabe perguntar quais são os discursos proferidos pela América Latina, do Oriente Médio, dos países não capitalistas e periféricos? Não há uma inserção no espaço social sequer dos meios de comunicação locais, que na maioria das vezes repetem o que vem dos grandes centros comerciais e políticos.

O econômico, por sua vez, vem a reboque destes valores de fala, os quais estão permanentemente em fluxo pela aldeia global. Desta forma, o meio constitui a mensagem para um sistema de globalização moderno. O jornalismo neste século torna-se mais importante do que o estrangulamento econômico que determinados grupos devem se submeter e equilibrar-se.

Não se trata simplesmente de ideologia, portanto, mas de agendamento, conforme valores notícias, que põe em sintonia mídia, ciência e capital. Em essência, o jornalismo ganha poder na administração global, substancialmente.

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Sobre Antonio S. Silva
Jornalista, mestre pela PUC/SP, doutor pela UnB e professor da (UFMT). Importante o diálogo para construir um país melhor.

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